Além da agenda administrativa, entretanto, Lula pretende fazer um movimento político no Estado: quer reunir o maior número possível de prefeitos do interior, vereadores, deputados estaduais e federais.
(Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
O presidente Lula bateu o martelo sobre a agenda no Amazonas. Virá nos dias 11 e 12 de maio, de acordo com o presidente estadual do PT, deputado Sinésio Campos, para um pacote de entregas e anúncios, com destaque para a BR-319, o novo Porto de Manaus e ações do Minha Casa, Minha Vida. Além da agenda administrativa, entretanto, Lula pretende fazer um movimento político no Estado: quer reunir o maior número possível de prefeitos do interior, vereadores, deputados estaduais e federais.
Estratégia - O encontro amplia o peso da visita de Lula, num momento em que o governo tenta reforçar presença no AM, inclusive direcionando publicidade regional em veículos de mídia, e aproximar a base local em torno de pautas sensíveis, como infraestrutura, habitação e logística.
Vitrine - A Assembleia Legislativa do Amazonas virou, nesta quinta-feira (23), ponto de encontro de nomes centrais da disputa política no estado. Durante o Feclan, fórum que reúne vereadores da capital e do interior, circularam pelo mesmo ambiente o ex-governador Wilson Lima (União Brasil), os senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD) e, a pré-candidata ao governo Maria do Carmo Seffair (PL).
Boca do sapo - Sem pisar no fórum, Amom Mandel (Republicanos) acabou virando personagem do congresso. O motivo é conhecido: a ideia de acabar com Câmaras Municipais em municípios de até 30 mil habitantes, com “conselheiros” substituindo veeradores, sem salário fixo. O deputado quer transformar a iniciativa em Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Ontem, o nome dele foi parar na ‘boca do sapo’.
Ataque - Os disparos do senador Omar Aziz contra o promotor de Justiça que atua em Maraã provocou a reação, ontem, da Associação Amazonense do Ministério Público (AAMP). Durante evento realizado na última sexta-feira (17) no município, Omar disse em tom exaltado, diante de dezenas de pessoas e do prefeito Edir Costa: “Hoje, o que a gente vê, muitas vezes, é o Ministério Público atrapalhando o prefeito aqui”.
Aviso - Omar seguiu, com decibéis elevados. “Vai brigar em outro lugar. Te levo para o Conselho Nacional do Ministério Público e vou te afastar”, ameaçou. “Não brinque de fazer que quer tirar o prefeito. Não vai tirar não, Edir. Não vai tirar”, garantiu. “Essa brincadeira causa mal à população. Querer politizar o Judiciário, eu não aceito. Cada um no seu galho. Não se meta na política. Faça o seu serviço, porque você foi contratado para isso”, disparou.
Resposta - O alvo do senador é o promotor Marcos Túlio, que já pediu o afastamento do prefeito Edir Costa em fevereiro, em ação civil pública, por improbidade administrativa. Em “Nota de Apoio e Solidariedade”, a AAMP afirmou, sem citar Omar, que a atuação do promotor em Maraã é “técnica e corajosa” e “não pode ser genérica e indevidamente etiquetada como atuação política”.
Proteção - A associação também sustentou que a independência funcional e a inamovibilidade dos membros do MP são garantias constitucionais que asseguram autonomia, “sem subordinação hierárquica interna ou pressões externas, políticas ou econômicas”. E lembrou: “Nenhuma autoridade possui o poder de transferir ou retirar abruptamente membros do Ministério Público da Comarca onde atuam”.