Para isso, instituições como as polícias federal, civil e militar devem ser fortalecidas tanto do ponto de vista material quanto humano, com a contratação e treinamento de mais agentes, além da estruturação adequada com veículos, equipamentos e armamentos
(Foto: Divulgação/Gaeco)
A operação La Máquina, empreendida pela Polícia Federal a partir de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Amazonas (Gaeco), pode ter revelado apenas a ponta do iceberg que é a atuação do crime organizado na Amazônia. A empreitada desbaratou uma organização criminosa extremamente sofisticada, com ramificações em vários Estados, desenvolvendo atividades ligadas ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Muito provavelmente outros grupos seguem atuando em nossa região, praticando atos semelhantes e tendo quase a certeza de que jamais serão alcançados pela Justiça.
É nítido que as forças de segurança
precisam atuar de forma mais intensa na região, enfrentando o tráfico de drogas, a grilagem de terras e o garimpo ilegal, por exemplo. Para isso, instituições como as polícias federal, civil e militar devem ser fortalecidas tanto do ponto de vista material quanto humano, com a contratação e treinamento de mais agentes, além da estruturação adequada com veículos, equipamentos e armamentos. Isso passa por pesados investimentos estratégicos em segurança pública, o que depende da vontade política das diferentes esferas governamentais.
O ideal é que a estratégia de combate ao crime organizado fosse construída de forma integrada e interinstitucional, com parceria e cooperação mútua entre as forças federais, estaduais e o Ministério Público. Tal sinergia perene não se constrói da noite para o dia, mas é algo que o Brasil já deveria ter implementado há muito tempo. A atuação policial precisa ser mais organizada que as organizações criminosas. É preciso que se construa uma estrutura de inteligência capaz de mapear com agilidade as operações ilegais e desmantelá-las antes que obtenham maior expressão, em atuação contínua das forças, e não apenas pontual.
O tema do combate ao crime organizado precisa ser um dos focos dos debates eleitorais, quando candidatos apresentam à sociedade suas propostas de enfrentamento. Cabe aos cidadãos observar o que é dito, sugerir propostas, e escolher os candidatos que melhor representem suas aspirações a respeito desse e de outros temas sensíveis.