Editorial

Mais mulheres na política brasileira

Foi apenas no Código Eleitoral de 1932 que elas puderam, pela primeira vez, participar ativamente do Legislativo Federal. Já no ano seguinte, a primeira deputada federal foi eleita; apenas uma ao lado de 253 homens.

acritica.com
07/10/2026 às 07:49.
Atualizado em 07/10/2026 às 07:49

(Foto: Agência Brasil)

O resultado do primeiro turno das eleições revela que a representatividade feminina no Congresso Nacional vai aumentar a partir de 2027, quando teremos a maior bancada feminina da história. Faz-se necessário observar tal fato em perspectiva: desde sua independência, o País passou mais de um século, precisamente 110 anos, sem que mulheres tivessem o direito de participar da política. Não podiam votar, tampouco ser votadas, permanecendo alijadas da própria cidadania. Foi apenas no Código Eleitoral de 1932 que elas puderam, pela primeira vez, participar ativamente do Legislativo Federal. Já no ano seguinte, a primeira deputada federal foi eleita; apenas uma ao lado de 253 homens.

Passaram-se 94 anos, temos a maior bancada feminina já eleita, mas, ainda assim, estamos muito longe da equidade de gênero nas Casas Legislativas. Na Câmara, as deputadas vão ocupar apenas 21% das 513 vagas, enquanto, no Senado, pouco mais de 22%. Estamos avançando, mas a passos lentos. No entanto, é preciso reconhecer que tal avanço, ainda que vagaroso, é resultado, em parte, das diversas medidas legislativas e ações positivas que o Brasil tem adotado ao longo das últimas décadas para tentar reverter a sub-representação feminina. Podemos citar a criação de cotas de candidaturas em eleições proporcionais, a fiscalização contra candidaturas fictícias, e o incentivo à liderança feminina com recursos do Fundo Partidário.

O que não se pode tolerar é o retrocesso. É lamentável que grupos digitais e influenciadores manifestem, sem nenhum pudor, questionamentos ou críticas ao sufrágio feminino. Cientistas políticos e pesquisadores de redes sociais apontam que esses discursos existem mais como “isca de cliques” em plataformas digitais do que como um movimento político pretensamente sério. Mas é triste constatar que tais discursos contam com audiência cativa.

Especialistas divergem sobre possíveis caminhos para promover a participação feminina na política, mas concordam em pelo menos um ponto: a representatividade é um reflexo da própria sociedade brasileira, onde a discriminação de gênero se manifesta em diferentes aspectos: mercado de trabalho, divisão de tarefas domésticas, violência e misoginia. O avanço precisa ser em toda a sociedade.

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