Sim e Não

Matemática eleitoral explica incômodo de Omar com Cidade

Com a estrutura do governo do Estado nas mãos, agenda intensa no interior e exposição diária, o governador avança nos redutos que o senador considerava sob influência consolidada.

André Alves
28/05/2026 às 08:25.
Atualizado em 28/05/2026 às 08:25

(Foto: Junio Matos)

A irritação do senador Omar Aziz(PSD) com o governador Roberto Cidade (União), em evidente incômodo durante a foto oficial da assinatura das ordens de serviço da BR-319, vai além da disputa por protagonismo no álbum de campanha. Cidade passou a ser visto como um problema concreto para os planos de Omar em 2026. Com a estrutura do governo do Estado nas mãos, agenda intensa no interior e exposição diária, o governador avança nos redutos que o senador considerava sob influência consolidada.

Fôlego -  Na pesquisa Comunidados, Cidade já aparece com 17,6% dos votos válidos. Cada ponto conquistado por ele encurta a margem de conforto de Omar na corrida pelo governo. Ele não lidera, mas hoje tem tamanho suficiente para disputar a segunda posição com Maria do Carmo Seffair (PL) e David Almeida (Avante).

Enquadramento  - A cena amplamente divulgada ontem mostra Omar zangado, puxando das mãos do presidente Lula o termo de assinatura da ordem de serviço, chamando o senador Eduardo Braga (MDB) para compor a fotografia em primeiro plano e se posicionando à frente do governador Roberto Cidade, que ficou visivelmente constrangido.

É ele mesmo?  - Personagem que incendiou a Operação Lava Jato ao denunciar esquemas de corrupção e admitir a existência de contas no exterior para bancar campanhas, o empresário Joesley Batista apareceu ao lado de Lula durante a agenda em Manaus.

Influência  - Joesley entrou no roteiro pelo peso empresarial da holding J&F no Amazonas, que ampliou negócios no estado. A Âmbar Energia, da J&F, assumiu a Amazonas Energia. Além disso, há investimentos ligados a estaleiros, balsas e logística na região.

Terremoto -  O bilionário estremeceu a política nacional, há quase dez anos, ao gravar o então presidente Michel Temer e delatar esquemas que atingiram integrantes do PT e do MDB. As delações de executivos da JBS chegaram a citar 1,8 mil políticos de 28 partidos, envolvendo cerca de R$ 500 milhões em repasses para campanhas eleitorais.

‘Sonho’  - O presidente Lula afirmou que “sonha” em recuperar refinarias privatizadas pela Petrobras, desde que por “preço justo”. A declaração ocorreu durante evento na capital, depois que um apoiador pediu a volta da refinaria no Amazonas.

Retomada  - A fala atinge diretamente a Ream, controlada pelo Grupo Atem, após privatização concluída no governo Bolsonaro. “Vamos tentar recuperar as refinarias que eles privatizaram, mas não podemos comprar pelo preço que eles querem. A Petrobras não pode dar dinheiro para as pessoas se não tiver um preço justo”, disse o petista.

Ausência  - A agenda de Alexandre Silveira em Manaus, para acompanhar Lula, terminou em saia justa em Brasília. Isso porque ministro faltou à audiência da Câmara, marcada para ontem, na qual explicaria o megaleilão de energia do governo federal, estimado em R$ 516 bilhões e alvo de questionamentos no TCU e na Justiça.

Resultado  - Como reação, deputados aprovaram a “convocação” formal de Silveira, tornando obrigatório seu comparecimento.

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