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No Dia do Filósofo, confira indicações de filmes feitos para pensar

Conheça clássicos da sétima arte que transformam memória, culpa e mortalidade em perguntas existenciais

Michael Douglas
16/08/2026 às 08:26.
Atualizado em 16/08/2026 às 08:26

Solaris usa o Espaço como pano de fundo para falar sobre a profundidade do ser humano (Foto: Reprodução)

Neste domingo, 16 de agosto, o calendário brasileiro celebra o Dia do Filósofo, data associada ao nascimento de Aristóteles, em 384 a.C. A ocasião combina com o cinema, uma arte que, mesmo entre explosões, romances e viagens espaciais, costuma fazer perguntas sobre quem somos, o que desejamos e o que fazemos com o tempo que temos.

Como já conversamos aqui sobre 2001: uma odisseia no espaço, O sétimo selo e Matrix, esses clássicos ficam fora da seleção. A proposta agora é visitar três filmes fundamentais para quem gosta de histórias que continuam depois dos créditos, na forma de perguntas.

Em Solaris (1972), Andrei Tarkovsky leva a ficção científica para uma estação espacial onde o psicólogo Kris Kelvin encontra manifestações de suas próprias memórias e perdas. O filme transforma o desconhecido em uma reflexão sobre luto, amor, culpa e a dificuldade de lidar com aquilo que tentamos deixar para trás. Mais do que explorar um planeta misterioso, Tarkovsky investiga o que acontece quando o passado ganha corpo e volta para nos confrontar.

Já Festim Diabólico (1948), de Alfred Hitchcock, acompanha dois jovens que assassinam um colega e escondem o corpo em um baú usado como mesa durante uma recepção. Enquanto os convidados conversam e comem, o espectador conhece o segredo no centro da sala. O filme questiona o que acontece quando a inteligência perde o vínculo com a responsabilidade e quando argumentos sofisticados são usados para justificar ações indefensáveis. Hitchcock mostra que boas palavras não conseguem esconder para sempre as consequências de uma escolha.

Festim Diabolico acompanha dois jovens que assassinam um colega tentando provar a possibilidade de um crime perfeito

Em Viver (1952), Akira Kurosawa acompanha Kanji Watanabe, um funcionário público que descobre estar gravemente doente depois de passar décadas preso à rotina burocrática. Diante da morte, ele começa a enxergar a própria vida de outra maneira e busca fazer algo concreto com o pouco tempo que ainda possui. A pergunta é simples, mas incômoda: o que fazer com os dias que nos restam? Kurosawa transforma a proximidade da morte em uma afirmação da vida e da possibilidade de encontrar sentido por meio de um gesto humano.

Os três filmes mostram caminhos diferentes para a filosofia no cinema. Solaris fala de memória, amor e culpa; Festim Diabólico, de violência e responsabilidade; Viver, da urgência de encontrar significado antes que o tempo termine.

Viver mostra que mesmo diante da morte, pode-se enxergar a vida de outra maneira

Talvez seja justamente essa a força do cinema filosófico: ele não precisa colocar personagens citando Kant em uma sala silenciosa. Pode filosofar em uma estação espacial, durante um jantar cercado por um segredo ou diante de um funcionário público tentando recuperar o sentido da própria existência. Primeiro vemos, sentimos e nos envolvemos. Só depois, muitas vezes já diante dos créditos, começamos a organizar as perguntas.

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