A obesidade em diferentes idades e, com destaque na faixa etária infanto-juvenil, é um desses problemas
(Foto: Agência Brasil)
Os preços dos alimentos, na maioria dos supermercados de Manaus, permanecem elevados e determinam quem pode comprar e quem não pode. Ao mesmo tempo, as promoções em torno de produtos processados incentivam a aquisição de alimentos cujo consumo em excesso prejudica a saúde e gera, na sociedade, quadro de adoecimentos muito próximo de endemias.
A obesidade em diferentes idades e, com destaque na faixa etária infanto-juvenil, é um desses problemas. De acordo com estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o aumento do peso de pessoas entre 5 a 19 anos é da ordem de 15%, no Brasil. Há mais crianças obesas no país do que desnutridas. Diabetes e hipertensão são algumas das consequências do consumo dos processados e eles estão pro toda parte, em diferentes modelos e preços acessíveis.
No caso de crianças, a alimentação adequada, em milhares de lares, é substituída pelos pacotes de salgadinhos ou aqueles oferecidos em cada esquina, na cantina da escola. Em muitos casos, esses produtos substituem o café da manhã, a merenda e até alimentações fundamentais como o almoço ou o jantar. A continua ingestão desses alimentos cria o hábito de consumo tornando mais difícil desmantelar a conduta inadequada e perigosa.
As promoções dos grupos supermercadistas são vistas, por parcela dos consumidores, como oportunidade de adquirir os produtos e ter a sensação de que levam para casa alimentos que irão assegurar as refeições, os lanches de uma semana, 15 dias ou um mês. Do ponto de vista da lógica das empresas, das gigantes que fabricam esses produtos e da cadeia de negócios que envolvem, ofertar e garantir o consumo em larga escala é o objetivo. São referências de sucesso nos negócios.
A outra face dessa história é o preço pago pela falta de uma política efetiva sobre o consumo de alimentos. Fazer com que os brasileiros, notadamente aqueles que por razões econômico-financeiras não possuem condições de comprar frutas e verduras naturais, substituindo as empacotadas é uma das responsabilidades dos governos. As iniciativas não podem ser pensadas em descontinuidade e sim como programa de educação e de saúde a ser ensinado nas escolas e nas comunidades carentes, bem como oferecer alternativas para que esse contingente tenha condições de comprar e consumir comida saudável.