Duas rodas vive seu melhor momento, mas não faltam ameaças que precisam ser enfrentadas e superadas para manter a sustentabilidade do setor e fortalecê-lo ainda mais.
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O setor de duas do Polo Industrial de Manaus (PIM) vive seu melhor momento desde que a primeira fábrica de motocicletas se instalou na cidade há quase 50 anos. A Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo) destaca números históricos, como a marca de 1,4 milhão de motos produzidas em oito meses, e alta de 12% nas vendas deste ano. Um dos principais destaques é a Moto Honda da Amazônia – exatamente a fundadora do setor na Zona Franca de Manaus -, que emplacou mais de um milhão de veículos de janeiro a agosto. Não resta dúvida que a fabricação de motocicletas é uma das principais forças do modelo industrial amazonense, gerando quase 22 mil empregos diretos em Manaus, e mais de 154 mil em todo o País, nos pontos de venda, distribuição e manutenção.
No entanto, como defende Maquiavel em sua clássica obra “O Príncipe”, é nos dias de calmaria que devemos prever as tempestades. Duas rodas vive seu melhor momento, mas não faltam ameaças que precisam ser enfrentadas e superadas para manter a sustentabilidade do setor e fortalecê-lo ainda mais. Um dos gargalos mais evidentes está bem diante de nossos olhos: a dependência quase absoluta do modal hidroviário para o transporte de componentes e veículos acabados. Tal fragilidade pode comprometer seriamente a produção nos próximos meses em decorrência da estiagem severa que já se manifesta no Amazonas. Em tempos de campanha eleitoral, a recuperação da rodovia BR-319 – que é a melhor alternativa para desfazer o gargalo logístico – está nos discursos de todos os políticos. Mas a Zona Franca precisa de mais que discursos. A plena trafegabilidade da rodovia é fator essencial para assegurar a sobrevivência, não só do setor de Duas Rodas, mas de praticamente toda a Zona Franca.
Outro fator decisivo é a rápida eletrificação dos transportes. A descarbonização e a transição energética já são realidade, e o parque de Manaus precisa se adaptar a ela. Ao longo de cinco décadas, Manaus concentrou especialização em motores a combustão interna. Uma reconfiguração deve ser acelerada, com formação de mão de obra qualificada em Manaus, modernização de plantas fabris e atração de fornecedores. Além disso, há as incertezas trazidas pela reforma tributária. Duas rodas na ZFM está melhor do que nunca, mas precisa acelerar para manter sua própria relevância.