“Não é tempo de ficar obras paralisadas”., afirmou o presidente Lula
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Num ambiente oficial da Presidência da República, Lula decidiu eliminar qualquer disfarce entre governo e campanha. No vídeo em que aparece ao lado dos senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), para anunciar agenda no AM, ele tratou ambos, sem rodeios, como “candidatos” ao Governo e ao Senado, antecipando o calendário eleitoral e incorporando a máquina pública ao discurso de campanha. Ao mesmo tempo, falou em ritmo de execução de obras, da “tão sonhada BR-319” e em “dar toda ordem de serviço” possível.
‘Meus’ - Disse Lula: “Eu tô aqui com meus companheiros, senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, candidato a governador e candidato à reeleição do Senado, porque eu tô discutindo uma agenda para o estado do Amazonas. Eu tenho muita coisa pra entregar no Amazonas e eu quero fazer uma agenda grande”. E seguiu: “Não é tempo de ficar obras paralisadas”.
Máquina - Ao usar o peso do cargo para associar entregas do governo a figuras tratadas como candidatos, a fala pode ser interpretada como promoção indevida e uso da máquina pública com viés eleitoral, zona sensível da Lei das Eleições.
Cobrança - Conforme registrou ontem o senador Eduardo Braga, o encontro com Lula se deu no Palácio da Alvorada, no fim de semana. Em postagem, Braga disse que esteve com o presidente “pra cobrar”. “Não foi pra foto, nem pra picanha”, sustentou.
Face to face Sobre a BR-319, Braga afirmou: “O presidente garantiu que a obra não para. Mas o povo quer ouvir isso aqui, em Manaus, olho no olho”.
Time - A licença do deputado federal Silas Câmara (Republicanos) para atuar diretamente na pré-campanha de Omar Aziz ao governo escancara o nível de engajamento político que a disputa de 2026 já impõe.
Estava escrito - Mais do que um gesto protocolar, a saída do parlamentar sinaliza prioridade absoluta ao projeto eleitoral de Omar e reforça antiga articulação de bastidores. Em outubro do ano passado, quando a licença do mandato foi ventilada justamente para esse fim, Silas negou em nota pública.
Pautas - Com a vaga aberta, o vereador João Carlos, suplente de Silas Câmara e vice-presidente do Republicanos, salta da Câmara Municipal de Manaus (CMM) para Brasília, com discurso de representatividade e “defesa da família e dos valores cristãos”.
Altruísmo - O governador interino do Amazonas, Roberto Cidade (União), anunciou com pompa que decidiu abrir mão do salário de chefe do Executivo e manter o subsídio de deputado estadual – mais alto. Enquanto o salário de governador é de R$ 34.070, em tese o subsídio de deputado deveria ser R$ 34,7 mil.
Blindagem - Em entrevista à Folha de S. Paulo, o economista Rodrigo Orair, um dos responsáveis técnicos pela reforma tributária, tratou de afastar a Zona Franca de Manaus do novo Imposto Seletivo. “Estamos separando o tema Zona Franca do tema do Seletivo. Não se mexe em benefícios da Zona Franca”, afirmou.
Recado - A fala do diretor da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda delimita o alcance da proposta, que substituirá o IPI a partir de 2027 e ainda terá alíquotas definidas. Ao blindar o modelo amazonense, o governo tenta reduzir resistência política em uma das frentes mais sensíveis da reforma.