Aparentemente, os dados são bastante positivos e apontam para um mercado de trabalho em expansão no País. Mas não é o que ocorre de fato.
(Foto: Agência Brasil)
Dados oficiais – tanto do IBGE como do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)- mostram redução do desemprego no Brasil.
A Pnad Contínua, realizada pelo IBGE, revela que a taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, aponta que criação de empregos subiu 7,2% em comparação a agosto do ano passado.
Aparentemente, os dados são bastante positivos e apontam para um mercado de trabalho em expansão no País. Mas não é o que ocorre de fato.
Economistas apontam que a economia brasileira segue desacelerando, isto é, perdendo fôlego em relação a semestres anteriores. Não é à toa que as projeções para crescimento da economia neste ano foram revisadas para baixo. O Banco Central reduziu sua estimativa oficial de 2,0% para 1,8% no Relatório de Política Monetária.
Mas, se a economia desacelera, o que explica a queda no desemprego?
Ocorre o que os economistas chamam de “efeito defasado”, já que o mercado de trabalho é, historicamente, o último a ceder quando a atividade econômica perde ritmo. Ou seja, mantidas as projeções, devemos experimentar retração no mercado de trabalho em breve.
E essa deve ser uma das primeiras preocupações de quem ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2027, assim como dos novos governadores.
O panorama para o futuro próximo não é dos melhores, com queda ou estagnação na oferta de vagas, possível perda de massa salarial, juros ainda muito elevados, e pressão inflacionária.
Além disso, apesar do momento atual apresentar números positivos no mercado de trabalho, não podemos esquecer que a taxa de informalidade é elevadíssima. De cada 100 trabalhadores, quase 38 trabalham sem carteira assinada, e mais de 5,8 milhões de trabalhadores ainda procuram por emprego.
Os desafios não são poucos e não são de fácil resolução, até porque a melhora no cenário geral depende também de fatores externos além da realidade doméstica do País.
As guerras que pressionam o preço do petróleo, o neoimperialismo norteamericano e as incertezas macroeconômicas criam um clima de hesitação global que freia investimentos, exatamente o que o País precisa para retomar o crescimento.