"Sejam, enfim, pedras talhadas e polidas para a edificação da sociedade; e nunca, jamais se deixem contabilizar dentre aqueles cascalhos perdidos e inúteis de seus escombros" (Reprodução)
Jesus, nas Sagradas Escrituras, ensina que o nosso falar deve ser “sim, sim; não, não”. O que passar disso, completa Ele, provém do maligno. No fundo e no fim, alertava o mestre sobre a necessidade de sermos retos não apenas em nossas palavras, mas também em nossas atitudes, haja vista que a beleza — e a integridade — das relações sociais saudáveis se baseia num capital precioso e sempre tão em falta: a confiança.
É que ninguém quer ao seu lado, seja como amigo, namorado, cônjuge, parceiro de trabalho, de time, de lutas e de ideais, dentre tantas outras coisas, uma pessoa cuja conduta seja flácida, que sempre esteja surpreendendo pelas mudanças bruscas de posição ou pela quebra de compromissos, bastando, para tanto, que julgue que os seus particulares interesses estejam sendo melhor atendidos por outros sujeitos ou em outras circunstâncias. Daí a razão de haver tantas desavenças e dores no mundo. É que muita gente diz uma coisa e faz outra...
Não é possível granjear o legítimo respeito do meio em que vivemos se, a todo momento ou em determinadas ocasiões, sinalizamos que a nossa palavra vale tanto quanto um dólar furado. Não! Precisamos honrar aquilo que dizemos, ainda que o preço seja alto a pagar, seja este dizer “sim” ou “não”, estando eles embasados, é claro, em motivações justas, ancoradas também em nossas melhores convicções. O que passa disso, de fato, é engano, é discórdia, e desunião, resulta em conflitos, por vezes fatais.
Nas disputas políticas propriamente ditas ou nas disputas dentro de corporações, agremiações e empresas é onde se vê, com maior frequência, exemplos de toda sorte de engodos, onde prevalece, infelizmente, aquilo e aquele que provém do maligno, o homem sinuoso, fisiológico, que usa o verbo, que deveria ser sagrado, como instrumento para o alcance de suas mais baixas e egoísticas aspirações.
Sempre digo aos meus filhos, coisa que aprendi com meu pai, mas que, penso, valem para todos os jovens: usem a régua em suas vidas, sigam o caminho direito; não façam contornos e nem concessões espúrias; não mintam; não tergiversem; respeitem o espaço de cada um; mantenham os compromissos assumidos, só os rompendo, com clareza e dignidade, diante de casos plenamente justificáveis como, por exemplo, a ingratidão e a traição; não alimentem contendas; perdoem, sem ser conivente com ela, a fraqueza alheia, e procurem, também, combater os seus pontos fracos, de modo a fortalecer, o mais que puderem, o próprio caráter; defendam a justiça; não sejam os protagonistas do talvez, do quem sabe, das incertezas.
Sejam, enfim, pedras talhadas e polidas para a edificação da sociedade; e nunca, jamais se deixem contabilizar dentre aqueles cascalhos perdidos e inúteis de seus escombros.