Os indicadores dos estudos mostram que são as orientações superficiais sobre o parto, a falta de participação do parceiro, o desconhecimento sobre o Plano de Parto e o acesso restrito à analgesia são fatores que influenciam para que mulheres que desejam ter parto normal tenham cesáreas sem indicação médica.
(Foto: Agência Brasil)
Os dados disponibilizados a segunda-feira (13), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) sobre o título “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes”, são mecanismos importantes para os governos federal, estadual e municipal avaliarem e corrigirem as políticas adotadas no que se refere à decisão das mulheres quanto ao tipo de parto que querem e poderão ter.
Os indicadores dos estudos mostram que são as orientações superficiais sobre o parto, a falta de participação do parceiro, o desconhecimento sobre o Plano de Parto e o acesso restrito à analgesia são fatores que influenciam para que mulheres que desejam ter parto normal tenham cesáreas sem indicação médica.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que no Brasil são realizados 1,6 milhão de partos por cirurgia, equivale a 60% do total dos partos no país. Nos hospitais particulares, o porcentual pode chegar a 80%. A taxa de referência da OMS é que os partos cirúrgicos não ultrapassem a 15%.
Na pesquisa do UNICEF foram analisadas as barreiras que mulheres enfrentam na decisão pelo parto normal, em um país onde a cesariana é a forma de nascimento mais comum. Sete em cada 10 brasileiras prefiram a via natural no começo da gravidez, indicam um outro estudo da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).
A decisão final sobre a via de nascimento, de acordo com informação do Unicef, depende não só de fatores psicológicos, mas também sociais e estruturais. Isso significa que governos e rede privada de saúde devem ir além de apenas prover informação para gestantes – que, apesar de essencial, não é suficiente para ajudar o Brasil a reverter o crescimento das cesáreas e incentivar o parto normal.
O estudo qualitativo combinou revisão da literatura científica e entrevistas com mais de 130 gestantes, puérperas e profissionais de saúde em Belém (PA) e São Paulo (SP), tanto na rede pública quanto na rede privada.
Alguns fatores estão ligados “as pessoas ao redor da gestante influenciam a decisão sobre a forma de nascimento; enquanto as experiências pessoais de mães, avós, tias e sogras têm muita influência sobre as preferências das gestantes, especialmente entre usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), os parceiros também possuem um papel importante. Quando participam pouco do pré-natal, os acompanhantes podem ter mais dificuldade para compreender o processo do parto e acabar pressionando pela cesariana ao presenciarem o momento do trabalho de parto”, destaca a pesquisa.