EDITORIAL

Pix vira alvo dos EUA e reacende debate sobre soberania brasileira

Sistema de pagamentos criado pelo Banco Central é apontado como fator de disputa comercial e defesa da inovação nacional

acritica.com
03/06/2026 às 07:44.
Atualizado em 03/06/2026 às 07:44

Sistema de pagamento PIX volta a mira dos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

Em novembro de 2020, o Banco Central do Brasil, a partir de estudos iniciados em 2018, implementou uma nova e inovadora forma de pagamento: o pix, que rapidamente se popularizou e, em menos de cinco anos, tornou-se a principal forma de pagamento utilizada por toda a população. Cabe ressaltar, contudo, que o pix brasileiro não surgiu do zero; o BC se inspirou em soluções como o Faster Payments, do Reino Unido; o Zelle, dos Estados Unidos; e o UPI, da Índia; todos baseados no mesmo princípio: quem quer pagar, manda o valor diretamente para a conta de quem precisa receber, sem intermediações, e com efeito imediato. O que diferencia o pix de seus “irmãos” é o fato de que o governo brasileiro tornou a adesão obrigatória para todos os bancos, inclusive fintechs, e estabeleceu a gratuidade nas transações, o que garantiu a rápida adesão de todos.

Ocorre que tamanha popularidade no Brasil afetou as transações com cartões operados por empresas norte-americanas, o que colocou o pix na mira do governo dos Estados Unidos. E é fato que o sucesso do pix no Brasil já está inspirando outras nações: no ano passado, a Colômbia lançou o Bre-B, que nada mais é que o pix colombiano. O modelo brasileiro é, sem dúvida, uma solução tão boa que este veículo ousa afirmar que é uma questão de tempo até que seja implementada em vários outros países, e, quem sabe, no mundo todo.

Mas é verdade que isso impacta empresas norte-americanas, focadas em formas de pagamento tradicionais. E a superpotência, atualmente administrada por Donald Trump, não admite perda de protagonismo. Este é o real motivo de termos o pix entre as queixas que motivaram a indicação de tarifas adicionais de 25% a produtos brasileiros. O pix é apenas um dos pontos elencados pelo governo estadunidense para justificar suas sanções, mas se destaca pela natureza da cobrança estrangeira: está tirando mercado de empresas norte-americanas.

Independentemente de espectro político, o ataque ao pix é um ataque à soberania do Brasil, à sua liberdade para desenvolver e implementar soluções tecnológicas que atendam sua população. O Brasil não pode ceder, e deve intensificar as ações diplomáticas para que se chegue a um consenso, sem jamais abrir mão da nossa soberania.

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