Sim e Não

Ponte com David pode entregar Manaus a Omar

A relação atual está mais para um “seguro eleitoral” que “reconciliação”.

André Alves
23/07/2026 às 08:02.
Atualizado em 23/07/2026 às 08:02

(Foto: Reprodução)

Depois do afastamento provocado pela disputa de poder, definição de espaços e cobranças de apoio, o senador Omar Aziz (PSD) e o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), restabeleceram a boa vizinhança com os olhos voltados para o 2º turno da eleição. A relação atual está mais para um “seguro eleitoral” que “reconciliação”. Sem a máquina do Estado ou da Prefeitura, Omar precisa manter essa ponte de pé. Se avançar e David ficar pelo caminho, ele poderá incorporar ao palanque a estrutura da gestão municipal.

Reciprocidade - Na capital, onde a eleição tende a ser decidida, o apoio da Prefeitura de Manaus pode valer a vitória. Mas a conta também fecha no sentido inverso: se Omar, num cenário hoje improvável, ficar fora do segundo turno e David avançar, o prefeito precisará dos votos e da capilaridade do senador no interior.

Chave - Ao confirmar a reaproximação de ambos durante entrevista a uma rádio, há alguns dias, o senador Eduardo Braga (MDB), que se disse “muito feliz” com a nova fase, deu a senha: “Eu imagino que o David pensa que vá pro segundo turno e quer o apoio do Omar. E imagino que o Omar pensa que estará no segundo turno e quer o apoio do David”.

Memória - A ditadura militar vista a partir da Amazônia é o eixo de “O Silêncio dos Kiña”, documentário dirigido por Heraldo Daniel que revisita as violações sofridas pelo povo Waimiri-Atroari e recupera a trajetória do indigenista Egydio Schwade. O filme faz pré-estreia nesta quinta-feira (23) e no sábado (25), às 19h, na Comunidade Marcos Freire, em Presidente Figueiredo, com entrada gratuita.

Vozes - O título usa o nome pelo qual os Waimiri-Atroari se reconhecem: Kiña. A escolha sintetiza o propósito do longa, que é romper décadas de silêncio sobre episódios ainda pouco conhecidos da história brasileira e devolver protagonismo às vozes indígenas.

Testemunha - Morador de Presidente Figueiredo há mais de 40 anos, Egydio Schwade acompanhou de perto os impactos da ditadura sobre os povos originários. O documentário percorre sua atuação na alfabetização dos Waimiri-Atroari, no Conselho Indigenista Missionário e nas denúncias das violências praticadas contra as comunidades.

Samba - A campanha pela permanência do Bar do Armando ganhou trilha sonora. Chico da Silva, Rui Machado e Márcia Siqueira lançaram “Respeita a Tradição”, samba que transforma em música a mobilização contra o despejo do estabelecimento, instalado há 63 anos no Largo de São Sebastião.

Coro - Gravada por Márcia Siqueira, com participação de Dudu Brasil, a canção recupera a trajetória do fundador Armando Soeiro e trata o bar como patrimônio coletivo de Manaus. O refrão funciona como palavra de ordem: “Não mexe comigo, não mexe com a gente”.

Cobrança - Uma inspeção do Ministério Público do Estado (MPE/AM) encontrou a Escola Estadual Benta Solart, em Maraã, funcionando entre alimentos vencidos, banheiros insalubres, biblioteca interditada, corredores obstruídos e até uma laje parcialmente desabada. O cenário levou a Promotoria de Justiça local a abrir procedimento para acompanhar de perto a reação da Seduc.

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