Problemas respiratórios, tosse, dores de cabeça e inflamação na garganta são algumas das complicações mais comuns em decorrência do ar contaminado.
(Foto: Junio Matos)
Com o agravamento da estiagem no Amazonas, a população já convive com a piora na qualidade do ar, que atingiu nível péssimo ontem. O problema é especialmente grave por oferecer risco à saúde das pessoas, sobretudo aos mais vulneráveis, como idosos e crianças. Problemas respiratórios, tosse, dores de cabeça e inflamação na garganta são algumas das complicações mais comuns em decorrência do ar contaminado.
Para o manauara já está ficando corriqueiro iniciar o dia com o céu encoberto por fumaça provocada por focos de incêndios que começam, frequentemente, pela própria ação humana, como é o caso do uso irregular do fogo para limpeza de terrenos e do desmatamento. Cientes da proliferação de incêndios nessa época de tempo seco, as autoridades até promovem companhas com o intuito de conscientizar a população a respeito dos perigos de promover queimadas. No entanto, é evidente que tais iniciativas não têm surtido o efeito desejado.
Vale lembrar que a estiagem está apenas começando, temos pela frente praticamente ainda dois meses de extremo calor e falta de chuvas. A qualidade do ar ainda pode piorar bastante, caso as queimadas e incêndios florestais não sejam contidos. A fumaça que chega a Manaus é oriunda de áreas afetadas pelas chamas em municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru.
Especialistas concordam que não basta monitorar a qualidade do ar, é preciso reduzir a ocorrência de queimadas e incêndios florestais durante o período de seca. Para isso, é necessário combinar ações preventivas com fiscalização rigorosa e manejo sustentável da terra. Por exemplo: a queima de lixo residencial em quintais e o acendimento de fogueiras perto de mato e pastagens secas são cuidados simples que cada cidadão deve observar.
Além disso, é necessário ter atenção especial às práticas agrícolas adotadas. Os aceiros – abertura de uma faixa limpa, sem vegetação, ao redor de plantações, pastos e reservas florestais – podem evitar que o fogo saio do controle caso um incêndio comece nas proximidades.
Por fim, é essencial fortalecer as brigadas de incêndios locais e o Corpo de Bombeiros com equipamentos adequados para respostas rápidas antes que o fogo tome grandes proporções. Isso exige investimentos, mas não pode ser ignorado por poder público.