SIM & NÃO

Pressão cresce e proteção fica para trás

Nenhum estado da Amazônia Legal recebeu avaliação “boa” no Índice de Democracia Ambiental de 2026.

André Alves
simnao@acritica.com
04/07/2026 às 09:26.
Atualizado em 04/07/2026 às 09:26

Floresta Amazônica (Foto: Agência Brasil)

Nenhum estado da Amazônia Legal recebeu avaliação “boa” no Índice de Democracia Ambiental de 2026. O dado, elaborado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) em parceria com a Transparência Internacional-Brasil, vai além de uma nota ruim: revela que a região mais pressionada por desmatamento, grilagem e garimpo ainda não construiu instituições à altura dos seus conflitos. O levantamento avaliou 120 indicadores sobre acesso à informação, participação social, Justiça e proteção de defensores ambientais.​

Ranking   O Amazonas aparece em terceiro lugar entre os estados da Amazônia Legal, com 43,8 pontos. A posição parece confortável, mas a nota revela o oposto. O desempenho estadual foi apenas “regular” e ficou muito abaixo dos 70,7 pontos alcançados pela União.​​

À mercê   A maior fragilidade do Amazonas está justamente onde o risco é maior. O estado recebeu 14,8 pontos (classificação tida como “péssima”) na proteção de defensores ambientais. Também não está entre os três estados amazônicos que mantêm programas próprios para quem enfrenta ameaças ligadas à defesa da floresta e dos territórios.

Justiça   O melhor resultado amazonense veio no acesso à Justiça. Com 73,7 pontos, o Estado ficou em terceiro lugar na região e recebeu avaliação “boa”.

Opacidade   Em transparência e participação popular, o Amazonas permaneceu no meio da tabela. Foram 43,9 pontos no acesso à informação e 42,7 na participação social, ambos resultados “regulares”. Na prática, conselhos, audiências e dados ambientais ainda funcionam abaixo do necessário para permitir fiscalização efetiva da sociedade.

Mutirão   A três meses do primeiro turno, o governo Lula aportou em Manaus com uma feira que reuniu, no mesmo endereço, INSS, Caixa, vacinação, odontologia e acesso a programas sociais. Oficialmente, é cidadania. Politicamente, é também uma forma eficiente de aproximar a marca do governo federal do eleitor amazonense.

Pacote   Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Desenrola e microcrédito estiveram no cardápio da “Feira da Cidadania - Governo do Brasil na Rua”, que ocorreu na última sexta-feira (3), no Sesi Clube do Trabalhador. Como se vê, a agenda social entrou de vez no calendário eleitoral.

Tinindo   No próximo dia 6, o senador Omar Aziz lança o segundo eixo do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, dedicado a saúde, segurança e assistência social.

Pauta   Ao apresentar o projeto em etapas e com eventos públicos, o candidato ao governo busca tirar a disputa do campo das “promessas genéricas”, ocupando a pré-campanha com uma agenda própria na capital, como vem fazendo com êxito no interior.

Cobrança   O senador Plínio Valério (PSDB) acionou o Ministério do Meio Ambiente e a PGR contra operações de Ibama e ICMBio na Amazônia. Ele cobrou as ordens judiciais e os atos administrativos usados para apreender gado, destruir estruturas e retirar produtores das áreas, documentos que, segundo ele, raramente aparecem.

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