Até o final do último século, é seguro afirmar que se tratava de uma fase decisiva nas eleições.
(Foto: Agência Brasil)
Nesta sexta-feira começa uma das etapas que já estiveram entre as mais importantes dos períodos de campanha política: o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Houve um tempo em que esta era a principal, senão única, forma de o eleitorado ter contato com as propostas das pessoas que se apresentavam como candidatas a cargos eletivos. Até o final do último século, é seguro afirmar que se tratava de uma fase decisiva nas eleições.
Mas os tempos mudaram; em 2018, o impulsionamento pago de postagens nas redes sociais passou a ser permitido no Brasil, e o uso das plataformas nas campanhas passou a ser estratégia prioritária. Diante disso, resta à academia estudar e reposicionar o rádio e a televisão como veículos de massa no que diz respeito à propaganda eleitoral em ano de eleições. Além disso, cabe à Justiça Eleitoral brasileira estabelecer parâmetros firmes sobre as campanhas na internet. O que temos hoje ainda é extremamente falho, como já foi demonstrado na précampanha. É o mundo em transformação e a necessidade da democracia de se ajustar à realidade hodierna.
Evidente que o horário eleitoral gratuito segue com sua relevância, sobretudo nos locais onde a internet ainda é um artigo de luxo. Vale lembrar que, segundo o IBGE, 5% das residências e quase 10% da população com dez anos ou mais simplesmente não têm como acessar a rede mundial. A esses, resta o rádio e a televisão. Parece pouco, mas seguramente é algo que pode decidir uma eleição apertada como promete ser a deste ano.
Também é verdade que a propaganda no horário eleitoral gratuito, ainda que tenha seu papel reduzido pelas redes sociais, mantém um público fiel, que prefere ver e ouvir, na TV e no rádio, as peças produzidas especialmente para tentar obter seu voto. No mínimo, é diversão garantida!
O que esperamos desse período de propaganda no rádio e na TV é que os candidatos se atenham ao que interessa: propostas realísticas a respeito de problemas cotidianos enfrentados pela população. Não é hora para ataques, contendas, agressões, verborragia vazia... É a hora de cada um mostrar o que pretende fazer se for agraciado pela vontade popular.