Robério Braga compara o desempenho da Seleção Brasileira à reta final das eleições e defende escolhas feitas com consciência e responsabilidade
O que se viu na sexta-feira passada, em campos da Austrália, foi aquela que pode ser a nova seleção brasileira de futebol, ou pelo menos parte dela, tocar a bola de um lado para o outro e para a sua zaga, sem nenhuma disposição de avançar ao ataque. Não quero nem falar que faltou impor dribles, mesmo os mais simples, e nem espero que façam valer a ginga que apresentávamos no passado e que deixava os adversários perdidos, sem saber como reagir e, algumas vezes, sem verem por onde a bola havia passado.
O empate, conseguido na marca final da partida, não reduz o desapontamento que tomou conta de mim, mas, também, esse vexame não pode representar desespero porque estamos apenas recomeçando a compor uma equipe que, desejamos, se torne ao menos competitiva nos próximos anos.
No outro lado da vida cotidiana, nos deparamos com a fase final da campanha para eleições gerais de 4 de outubro, sob o mando da democracia, da legislação e da justiça eleitoral. Democracia que se arrasta em meio a denúncias de todos os lados, alcançando partidos, coligações, candidatos, apoiadores e até alguns magistrados. Legislação eleitoral que, a rigor, não tem sido aplicada como deveria para manter o equilíbrio do pleito entre os candidatos, não só os majoritários, mas até mesmo entre aqueles que disputam a deputação estadual ou federal.
As propagandas apresentadas nas emissoras de rádio e televisão, que custam bastante aos contribuintes brasileiros porque o horário eleitoral não tem nada de gratuito, deixam muito a desejar em propostas sérias e factíveis, e vêm sendo substituídas por mera apresentação de candidatos ou por mensagens simplórias e sem sentido, quando não se transformam em ataque frontal aos concorrentes.
Se no que tange ao futebol e à formação da nova seleção que pode vir a representar nosso país na próxima edição do campeonato mundial em 2030, temos de ter paciência por todo esse tempo e aguardar o desenrolar dos treinos, convocação e reconvocações, além de fazermos algumas promessas para todos os santos; no que se refere às eleições estamos quase na hora da onça beber água, porque poucos dias nos separam do cumprimento da obrigação e do direito de votar, escolhendo nossos dirigentes e representantes.
Nesse ponto, não é demais pedir a especial atenção do eleitor de todas as idades, para escolher com critério, seriedade e reconhecendo a competência, experiência e comportamento ético e moral dos inscritos ao escrutínio. As paixões e os ódios, porventura existentes em relação a este ou àquele concorrente, devem ser afastados, ainda que temporariamente, para que o voto consagre aqueles que, da melhor forma, com consciência e responsabilidade, possam conduzir os destinos da nação e do estado.
Despreze o preconceito político e escolha os melhores.