O governo brasileiro e entidades ligadas ao setor exportador devem passar os próximos dias buscando soluções para evitar o bloqueio, mas certas reflexões se fazem necessárias.
(Foto: Agência Brasil)
A decisão da União Europeia de suspender a compra de carne brasileira em setembro caiu como uma bomba na cabeça dos exportadores. Isso porque a União Europeia consolidou-se recentemente como um destino de alto valor agregado para a carne bovina brasileira, com destaque para cortes nobres. O prejuízo pode ser bilionário.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras (Abiec) mostram que, só em 2025, A União Europeia importou do Brasil quase 130 mil toneladas de carne bovina, gerando uma receita superior a US$ 1 bilhão. Com a iminente suspensão das exportações, o governo agora se vê numa corrida contra o tempo.
É preciso apresentar provas de que o País exerce controle sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. O governo brasileiro e entidades ligadas ao setor exportador devem passar os próximos dias buscando soluções para evitar o bloqueio, mas certas reflexões se fazem necessárias.
Como as autoridades do Brasil não conseguiram se antecipar ao movimento dos europeus e adiantar medidas? As exigências da Europa para importação de proteína animal são bastante conhecidas por todos que negociam com aquele mercado. O Brasil sabia das condições, mas a providência que tomou – proibição em abril de parte dos antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho animal – é flagrantemente insuficiente.
De qualquer forma, caso a venda de carnes para a Europa seja mesmo descontinuada em setembro, pelo menos um efeito positivo pode ocorrer, dependendo do ponto de vista. Os frigoríficos exportadores terão que buscar novos mercados, ou destinar os produtos ao mercado interno, o que pode significar carnes nobres a preços mais convidativos no açougue.
Outra necessária reflexão é encararmos o fato que o Brasil, apesar de ser o maior produtor de proteína animal do mundo, ainda está atrasado em relação a certos conceitos que já são adotados em grandes mercados como a Europa. Um deles é a abordagem conhecida como “Uma só Saúde” (One Health), que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental. É com base nesse conceito, que a UE busca restringir os antimicrobianos. É algo que chega a ser óbvio, mas que, no Brasil, está muito longe de ser implementado.