Enquanto outros propagam os conflitos, as guerras, o ódio, o desrespeito e a violência como bandeiras do existir no mundo, o rebanho dos que cultivam os afetos e o cuidado faz caminhada e tenta o diálogo e a arte de viver com os diferentes
A aceleração do mundo e da própria vida humana implicou em alterar datas e seus significados em um esforço de antecipar determinados acontecimentos ou tradições que marcam a existência da humanidade. A celebração da Páscoa e de todo o período da Semana Santa são exemplos dessa celeridade. Já não há uma semana santa e sim um dia entendido como o tempo para responder por todo o período ligado à fé cristã e especialmente ao catolicismo.
Os eventos desde a quaresma à Páscoa envolvem etapas das práticas católicas que atropeladas pela pressa são cada vez mais encolhidas, pois, outros agendamentos são priorizados. A Páscoa está colocada como um dos atos de profunda significação, a passagem para a vida.
O mundo atormentado pela primeira pandemia desse século, a da Covid-19, por crises sucessivas e uma guerra por mais controle e maior poder sobre as nações, busca por vida. Parcela expressiva da humanidade, em dificuldades e sob ameaça de morte, tem nesse simbolismo o reforço de crença e de envolver-se com uma força maior que lhe remete à esperança e ânimo para enfrentar momentos difíceis.
Este ano, a celebração da paixão, morte e vida de Jesus Cristo é feita em meio a todas essas sensações vividas pela humanidade. Viver é o esforço e viver em harmonia tornou-se, para muitos, a razão de persistir. Enquanto outros propagam os conflitos, as guerras, o ódio, o desrespeito e a violência como bandeiras do existir no mundo, o rebanho dos que cultivam os afetos e o cuidado faz caminhada e tenta o diálogo e a arte de viver com os diferentes.
O exercício da Páscoa apresenta à humanidade um caminho, cheio de obstáculos que podem levar à negação pela caminhada. Se houver sensibilidade para perceber os achados no percurso haverá revelações do amor e da fraternidade que como pequenas plantas tornam-se guardiãs da vida. O mundo acelerado não sabe mais escutar, não tem tempo para as escutas, exacerba verdades e determinações. A Páscoa está presente nesse simbolismo de aprendizados permanentes onde ver, sentir e agir estão interligados e quando acionados proporcionam outra postura humana diante dos humanos e dos não humanos, nesse viver e ser.