Nem só de Disney e Pixar que vive o mundo das animações. E desta vez vamos falar sobre filmes com mensagens pesadas, mas que não deixam de ser bonitos
Apesa de ser lançado em 2014, O Menino e o Mundo concorreu ao Oscar de animação em 2016 (Foto: Reprodução)
Nem só de contos de fadas ou ‘jornadas do herói’ vive o mundo das animações, que a cada ano que passa vão abordando temas ainda mais sensíveis. E isso se torna ainda mais perceptível ao se virar um pouco para o cinema norte-americano e olhar para filmes de outros países, pois se já estamos acostumados a filmes sobre família, amadurecimento e amor, também existem por aí belas animações falando sobre depressão, capitalismo, violência e outros temas.
Por isso, a ideia desta semana é sair um pouco do mercado hollywoodiano e trazer para você, caro leitor, três obras: uma brasileira, uma japonesa e outra europeia. Confere:
Esta frase talvez seja o que resume bem a mensagem da animação brasileira “O Menino e o Mundo”, lançada em 2014 e disponível no Globoplay. O filme, feito completamente a mão, narra a história de uma criança (que não sabemos o nome) que mora no campo com a família. Em meio a falta de oportunidades, ele vê seu pai ir embora para a cidade grande, e pouco depois decide ir atrás dele sem avisar ninguém.
Jornada de uma pequena criança em busca do pai é o cerne principal desta animação brasileira
Triste e desnorteado, esta criança vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora, em uma metrópole marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas. Mesmo se ter um diálogo sequer, este filme traz mensagens muito fortes, mostrando desde o abandono parental até a miséria de se viver em uma cidade grande – tudo contribuindo para a perda da inocência desta criança.
A belíssima trilha sonora feita pelo cantor Emicida ajuda a mostrar o caos da vida em uma grande cidade em contraponto a inocência e fascínio do olhar deste menino, que quanto mais cresce, mais vê quão desoladora a vida e mundo podem ser. Triste, mas vale a pena.
Lançado em 1988, Akira é a animação mais importante da história
Este é, sem dúvida alguma, a animação japonesa mais importante de todos os tempos, tendo influenciado tanto o mercado oriental quando o cinema no ocidente. E tudo isso não é à toa, afinal esta é uma obra que beira a perfeição, tanto no quesito técnico quanto no roteiro, lotado de mensagens – indo desde críticas ao capitalismo e a fé até os traumas da guerra.
Disponível no Apple TV, o filme (de 1988) narra a história dos amigos Kaneda e Tetsuo, dois pré-adolescente que vivem a meio a violência de Neo Tóquio - uma segunda versão capital do Japão, já que original foi destruída anos antes por alguém chamado ‘Akira’. Um dia, Tetsuo se envolve em um acidente e passa a desenvolver poderes inimagináveis, o que faz com que seja comparado ao lendário Akira. Isso faz com que ele se torne alvo do exército, ao mesmo tempo que é idolatrado por outros fanáticos religiosos.
A partir daí, Kaneda acaba entrando nesse mundo de conspirações, ao mesmo tempo que tenta ajudar o amigo, que a medida que o tempo passa, vai se tornando um perigo para o mundo – e um excelente vilão. É um filme com tantas mensagens, que você vai precisar ver pelo menos duas vezes. Simplesmente uma obra de arte.
Sendo o primeiro filme pintado da história, esta animação de 2017 tenta mostrar nas telas um pouco da genialidade dos traços do pintor Vincent Van Gogh, ao mesmo tempo que explora sua vida e as razões de seu possível suicídio.
Com Amor, Van Gogh é o primeiro filme pintado já feito no cinema
"Com Amor, Van Gogh", disponível no Prime Vídeo, parte da perspectiva do jovem Armand Roulin, que um dia encontra uma carta de Van Gogh enviada para seu irmão Theo. Armand então parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido, iniciando uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.
Sendo uma belíssima obra no sentido estético, o filme busca mostrar como a genialidade do pinto estava sendo atrelada a problemas pessoais, principalmente a depressão. Ainda que tenha um tom melancólico, é o tipo de obra que merece atenção, dando razão a uma de suas mais celebres frases: “Viva um pouco mais e verá que a vida derruba até os fortes”.