Terça-feira, 13 de Abril de 2021
Editorial

A Páscoa em tempo de peste no mundo


Riscos-de-nova-pandemia_CA95E9A4-646C-4B31-99CB-065A9AA3A427.jpg
03/04/2021 às 01:04

Em tempos de descrença, da exacerbação do individualismo e do egoísmo, o ritual da semana santa possibilita refletir sobre o papel dos humanos na experiência de vida terrena para que cada um, a partir da compreensão que possui, tome decisões pessoais sobre quais conexões quer manter, criar, fortalecer.

O ódio tão comum e naturalizado nas relações públicas cresce na medida em que o egoísmo é bandeira aberta e bem recepcionada na lógica de que a vitória individual se consolida na derrota do outro. O período chamado de dias santos e observado por milhares de cristãos em todo mundo pede uma parada no ritmo acelerado da vida e, se possível, recolhimento para tomar nas mãos as palavras narradas em torno da existência de Jesus de Nazaré e buscar esclarecimentos.

Os eventos que envolvem a história dos cristãos nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus, em cada um deles, abrem espaços aos debates e a feitura dos caminhos a seguir. Pensar nesses eixos de vida, morte e ressurreição posiciona o indivíduo diante dos acontecimentos do mundo. Nesse momento longo, a humanidade vive a nova peste em forma de um vírus que já ceifou aproximadamente 3 milhões de pessoas das quais cerca de 325 mil somente no Brasil e mais de 12 mil no Estado do Amazonas.

Pensar a respeito da vida numa dimensão mais humanizada onde a solidariedade não seja aquela abatida no Imposto de Renda nem a que faz pose para inserir as cenas na próxima campanha eleitoral, é fundamental. Talvez, a saída mais decente aos humanos seja a humanização que é processo individual e coletivo vinculado à ideia de que no reino animal são esses humanos os que mais podem construir mudanças e alterar o ritmo dos acontecimentos.

A vida na Terra no padrão em que se encontra está inexoravelmente ameaçada, esvaindo-se. A natureza oferece sinais, dar respostas e s humanos a ignoram, insistem na superioridade que têm entre os outros não humanos. A metáfora da Páscoa é um sentido, um chamado, uma chave para que ressignifcada avida siga em pactos bons com o meio ambiente, colocando as tecnológicas a serviço de causas mais nobres e não no encaixotamento de povos e das sociedades em favor do lucro desmedido.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.