O governo estadual tem a responsabilidade de agir para além das frentes e parcerias criadas no combate ao novo coronavirus no reposicionamento da economia amazonense. Equipes da área econômica e daquelas a ela diretamente vinculadas precisam fazer e apresentar estudos que demonstrem à sociedade as alternativas em criação para enfrentar um outro problema grave que a partir de abril se apresentará de forma mais evidente, os desempregados, os subempregados e o exército de pessoas concentrada na atividade informal.
As características desta crise terão efeitos particulares na economia amazonense em função da dependência extremada aos negócios do Polo Industrial de Manaus (PIM). É possível projetar o aumento do volume de vendas externas numa possível superação em prazo mais curto da pandemia, uma projeção arriscada pela incerteza nesse campo e pelas respostas diferenciadas que cada país apresenta. De modo geral, o primeiro semestre de 2020 já está profundamente prejudicado na maioria dos setores de serviços.
Outro aspecto é a condição de instabilidade da Zona Franca de Manaus mantida pelo governo federal desde 2017 e agravada pelas decisões tomadas na atual gestão. A estabilidade da economia amazonense ainda está visceralmente vinculada a da ZFM e esta vem sendo desidratada continuamente. Os demais empregos diretos e indiretos na cidade de Manaus dependem dos reflexos do vigor do PIM.
Nos outros 61 municípios pelo menos 56 apresentam grau de dependência elevada e destes 30 ou mais vivem em condições de subdesenvolvimento. Têm nos micros negócios, a maioria deles levados a frente por mulheres, a manutenção de itens fundamentais para a vida humana. Os servidores públicos concentrados nas prefeituras e câmaras municipais compõem o segmento que recebe salários de forma mais regular e proporciona a sobrevivência do comércio local.
O impacto de medidas que estão sendo adotadas monocraticamente se fará notado em breve. Os mais vulneráveis na cadeia produtiva e na ciranda da economia não estão sendo considerados por esse tipo de ação e, quando habitam lugares com outras especificidades tornam-se excluídos porque na composição tradicional do peso da balança da tomada de decisão não contam. No Amazonas, considerar os vários contextos que formam o contexto maior do Estado é uma exigência e revela uma conduta onde a sensatez, a sensibilidade e a responsabilidade estão presentes. É dessa postura que a maioria da população no mundo pede na atualidade.