Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2021
Editorial

Desindustrialização


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13/01/2021 às 06:48

O fechamento das três fábricas da Ford no Brasil deve servir de alerta para o País, especialmente para a Zona Franca de Manaus. O conjunto de fatores que levaram a empresa a deixar o Brasil é complexo, e apenas os muito ingênuos apontam um único fator preponderante, como os subsídios à produção. Alta do dólar, superdesvalorização do real, reorganização do setor automobilístico em escala global, crise econômica no Brasil e principalmente a insanidade tributária que impera por aqui estão entre alguns pontos importantes. Isso sem falar nos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que causa um terremoto na economia mundial e obriga empresas de todos os portes a repensar seus negócios, que precisam permanecer lucrativos em meio à queda no consumo e um futuro de incertezas.

A pandemia tem acelerado um processo de transformação na conjuntura econômica mundial que já estava em andamento há um bom tempo. O capital é flexível, e os países que quiserem atrair ou manter investimentos de peso, terão que se ajustar também. Essa necessidade de novos arranjos diante de um novo cenário no mundo é um movimento natural do capital, que busca adaptação, promove mudanças e redireciona esforços. Aí reside o alerta para a Zona Franca. A busca por ajustamento à nova situação global é o motivo para o fechamento da fábrica da Sony em Manaus, o que foi anunciado para março.

Que outras grandes empresas planejam seguir o mesmo caminho? Mais do que nunca, a busca pela criação e fortalecimento de novos segmentos industriais é necessária. O eterno discurso da diversificação da indústria com capitalização de produtos da floresta precisa sair do papel com máxima urgência.

Há cem anos, a Ford chegava ao Brasil. Há cem anos, a pandemia de gripe espanhola aterrorizava mundo. Assim como aconteceu há um século, o Brasil sobreviverá a esta crise sanitária, mas terá que encarar uma economia mundial em mutação, onde não haverá mais espaço para insanidades tributárias do tipo que se vê por aqui. O País precisará se modernizar com extrema rapidez. Do jeito que está, não tem quem aguente. Nikon, Sony, Mercedes-Benz, Ford... Se nada for feito, o Brasil corre o sério risco de passar por um processo de desindustrialização sem precedentes, e ver sua economia regredir décadas em poucos anos.


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