Assinada por Alex Salvador, a alegoria da primeira noite transforma a lendária guardiã da Ilha Tupinambarana em um manifesto contra o desmatamento e a poluição, com estrutura de 22 metros de altura
A "Cobra grande - deusa da encantaria" possui 35 metros de boca de cena (Junio Matos)
A cobra grande, poderosa guardiã da Ilha Tupinambarana, vai despertar. Despertar contra o desmatamento, a poluição, para proteger o povo de Parintins. Essa é a figura principal da alegoria "Cobra Grande - A deusa da Encantaria", que vai concorrer pelo item "Lenda Amazônica", da primeira noite de apresentações do Boi Caprichoso no 59. Festival de Parintins. A alegoria é assinada pelo artista de ponta Alex Salvador, que soma 16 anos de trabalho nos galpões do Touro Negro, sendo quatro destes como artista responsável.
Na lenda contada de geração para geração, a cobra grande é a primeira habitante de Parintins, cuja cabeça repousa sob a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, e o corpo da cobra circula os entornos da ilha. A alegoria possui 35 metros de boca de cena, 25 metros de fundo e 14 metros de profundidade.
"A gente chega a uma altura de 22 metros", complementa Alex. Ao todo, a estrutura completa carrega 6 módulos e um módulo aéreo. O projeto de galpão foi finalizado em 3 meses de trabalho, que envolve desde a maquete até a execução final no Bumbódromo.
Módulos menores trazem as "filhas" da Cobra grande, a guardiã de Parintins
Ao vislumbrar a alegoria, é possível ver a grande guardiã no módulo central, cercada por versões menores da cobra grande, que seriam suas descendentes. Na representação estética da alegoria, a cobra grande está enrolada em um jacaré prestes a devorá-lo. "Isso é uma coisa vista na Amazônia constantemente. A cobra grande, que é a nossa anaconda, se enrola nos animais e os devora", declara Salvador.
Em outro módulo, a cobra grande vem metamorfoseada, com cabeça de cobra e corpo de homem, em clara referência à lenda da cobra Honorato, o bondoso guardião da floresta que se transformava em homem nas noites de lua cheia, mas que precisava voltar a ser cobra ao amanhecer.
Alex Salvador é o artista responsável pela alegoria
Alex Salvador também é artista do Carnaval carioca, colecionando trabalhos nas escolas de samba Vila Isabel, Imperatriz, Viradouro, Mangueira e Portela. Sobre o trabalho desempenhado no Festival de Parintins, ele não esconde a gratidão. "Todas as alegorias são grandiosíssimas. Isso é reflexo do trabalho bastante aperfeiçoado do Boi Caprichoso", encerra ele.