O ‘boi da diversidade’, como é conhecido, levou o tema ‘O boy brabo da biba truqueira dando golpe por toda vida’ à Hamburgueria Club Beer
Uma brincadeira de amigos fez surgir o boi, no ano de 2004 (Jeiza Russo)
Parintins (AM) - Há 19 anos, um boi de pano cor de rosa, que carrega consigo a bandeira LGBTQIA+, reúne inúmeros brincantes numa festa que celebra o boi da diversidade, mais conhecido como Boi Boiola. Neste ano, o tradicional evento, que ocorreu na Hamburgueria Club Beer, na Avenida Amazonas nesta sexta-feira (23), trouxe o tema “O boy brabo da biba truqueira dando golpe por toda vida”.
O evento iniciou as 22h, com o pré-show da banda ‘Tradição’ ao som de muito boi-bumbá. Na sequência, a banda ‘Canto Parintins’ se apresentou ao som das toadas de sucesso deste ano. A cantora amazonense Márcia Novo foi a convidada especial do evento, que acontece uma semana antes do Festival Folclórico de Parintins.
Márcia Novo foi uma das artistas convidadas
Espetáculo
A apresentação iniciou por volta das 02h10, ao som de “Esse amor não tem fim” e “Treme terra” - esta última em forma de sátira, como são cantadas as toadas no Boi Boiola. No palco, além dos itens em evolução, integrantes da Marujada de Guerra do Boi Caprichoso também abrilhantaram a festa. E ele, o mais esperado da noite, o boi da diversidade chegou e evoluiu por volta das 02h25, animando a galera, que o recebeu com todo o carinho.
Tarcísio Gonzaga é o fundador do Boi Boiola
Item
Atualmente, Romulo Vlasak defende o item Pajerana no Boi Boiola, mas começou como Ama do Boi, ou melhor, ‘Ama do Boy’. “Eu participei em 2015 como ‘Ama’, estreei ‘Ama do Boy’… O gay versando, tirando versos e foi o maior sucesso, foi maravilhoso! E hoje eu vou estrear no show de 2023 como Pajerana”, disse.
O item Pajerana é defendido por Romulo Vlasak
A profissional de educação física Jully Ribeiro, 37, participa da festa do Boi Boiola desde quando era realizada na chácara do idealizador.
Jully Ribeiro admira o teor de liberdade e alegria da festa
O boi da diversidade
O Boi Boiola surgiu em 2004, a partir de uma brincadeira de amigos, que tinham um sonho em comum: ser itens do boi-bumbá. “Nós tínhamos a vontade de ser itens de boi, e como a gente sabia que nunca ia poder ser nem do Caprichoso, nem do Garantido, criamos um boi próprio chamado Boi Boiola. E aí nós nos tornamos itens, a brincadeira foi crescendo - antes era uma brincadeira fechada -, começamos a expandir e caiu no gosto do público”, diz ele.
Gonzaga destaca que, apesar da tradição, realizar essa festa ainda é um grande desafio. “A gente ainda continua com o ‘pires na mão’, porque é muito difícil levantar uma bandeira da diversidade em meio a um mundo que ainda é muito cheio de preconceito”, lamenta.