Raimundinho Dutra e Mestre Ambrósio marcaram gerações com toadas dos bois
As toadas são parte essencial da identidade do Festival Folclórico de Parintins. Muito além de embalar as apresentações de Caprichoso e Garantido, elas ajudaram a construir a memória afetiva e cultural de gerações de torcedores dos bois-bumbás.
Entre os nomes mais marcantes da história do festival estão Raimundinho Dutra, pelo lado do Caprichoso, e Mestre Ambrósio, no Garantido. Os dois compositores deixaram um legado que permanece vivo nas arquibancadas, nos currais e nas vozes dos torcedores.
Raimundinho Dutra morreu em maio do ano passado, aos 94 anos. Considerado um dos maiores compositores da história do Caprichoso, ele é autor de toadas emblemáticas como Aquarela do Touro Negro, Meu Cântico de Guerra, Mocidade e Solo Amado.
Segundo familiares, Raimundinho começou a escrever toadas ainda aos 14 anos e transformava poesia em música.
A esposa dele, Maria Arlete, relembrou que o Caprichoso fazia parte da rotina da família diariamente.
Familiares também destacaram a importância de manter vivo o legado deixado pelo compositor.
Do lado encarnado, Mestre Ambrósio também ajudou a construir a identidade musical do Garantido. Falecido em 2008, aos 81 anos, ele compôs clássicos que atravessaram gerações, como Boa Noite, Povo Amazonense e Anunciei Boi na Cidade.
De acordo com familiares, ele começou a compor ainda criança e tinha dedicação exclusiva ao boi vermelho.
Os filhos também recordam momentos simples dentro de casa, quando o compositor criava toadas usando apenas uma caixa de fósforo para marcar o ritmo.
Mesmo décadas após suas composições terem sido criadas, as músicas seguem presentes nos momentos mais simbólicos do Festival de Parintins, mantendo vivos os nomes de dois artistas fundamentais para a história dos bois-bumbás amazonenses.