LENDAS DA COMPOSIÇÃO

Compositores históricos eternizam legado no Festival de Parintins

Raimundinho Dutra e Mestre Ambrósio marcaram gerações com toadas dos bois

Yuri Taunay
28/05/2026 às 11:37.
Atualizado em 28/05/2026 às 11:37

As toadas são parte essencial da identidade do Festival Folclórico de Parintins. Muito além de embalar as apresentações de Caprichoso e Garantido, elas ajudaram a construir a memória afetiva e cultural de gerações de torcedores dos bois-bumbás.

Entre os nomes mais marcantes da história do festival estão Raimundinho Dutra, pelo lado do Caprichoso, e Mestre Ambrósio, no Garantido. Os dois compositores deixaram um legado que permanece vivo nas arquibancadas, nos currais e nas vozes dos torcedores.

Raimundinho Dutra morreu em maio do ano passado, aos 94 anos. Considerado um dos maiores compositores da história do Caprichoso, ele é autor de toadas emblemáticas como Aquarela do Touro Negro, Meu Cântico de Guerra, Mocidade e Solo Amado.

Segundo familiares, Raimundinho começou a escrever toadas ainda aos 14 anos e transformava poesia em música.

“As letras eram totalmente forjadas da poesia”, contou um dos filhos do compositor.

A esposa dele, Maria Arlete, relembrou que o Caprichoso fazia parte da rotina da família diariamente.

“Todo o tempo era o Caprichoso”, disse.

Familiares também destacaram a importância de manter vivo o legado deixado pelo compositor.

“Eu pretendo honrar o nome do meu avô até o meu último dia aqui nessa terra”, afirmou um dos netos.

Do lado encarnado, Mestre Ambrósio também ajudou a construir a identidade musical do Garantido. Falecido em 2008, aos 81 anos, ele compôs clássicos que atravessaram gerações, como Boa Noite, Povo Amazonense e Anunciei Boi na Cidade.

De acordo com familiares, ele começou a compor ainda criança e tinha dedicação exclusiva ao boi vermelho.

“Ele dizia que não fazia toada para o contrário, só para o Garantido”, relembrou um familiar.

Os filhos também recordam momentos simples dentro de casa, quando o compositor criava toadas usando apenas uma caixa de fósforo para marcar o ritmo.

Mesmo décadas após suas composições terem sido criadas, as músicas seguem presentes nos momentos mais simbólicos do Festival de Parintins, mantendo vivos os nomes de dois artistas fundamentais para a história dos bois-bumbás amazonenses.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por