Boi vermelho encerrou a apresentação com rito de cura inspirado no povo Hixkaryana e destacou diversidade, resistência indígena e homenagens a Tadeu Garcia
A lenda amazônica Kamara, ou Onça-Mãe, foi um dos grandes momentos da segunda noite do Garantido, com alegoria monumental assinada por Ozéa Bentes. Foto: Junio Matos/A CRÍTICA
O boi Garantido, com o tempo de 2h27min, encerrou a segunda noite de apresentações do 58º Festival Folclórico de Parintins, na madrugada de domingo (28), com o “Ritual Hixkaryana”, rito de cura, em alegoria assinada pelo artista Ozéa Bentes. O bumbá apresentou o subtema “Parintins, Portal da Diversidade” em uma mensagem de que “todos somos parentes”.
O Ritual Hixkaryana encerrou a apresentação do Garantido na segunda noite do Festival de Parintins com uma alegoria monumental assinada por Ozéa Bentes, inspirada em um rito de cura do povo Hixkaryana. Foto: Junio Matos
O Pajé Adriano Paketá protagonizou momentos de forte impacto cênico durante o Ritual Hixkaryana, encerramento da segunda noite do Garantido. Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA
A noite foi marcada pela lenda amazônica Kamara, pela participação do Balé Folclórico da Bahia na toada “Quilombo da Baixa” e pela homenagem ao “mestre das evoluções”, Tadeu Garcia, falecido em março deste ano. Os povos originários, acompanhados dos tuxauas, ergueram a bandeira “A resposta somos nós” como um clamor de resistência indígena e de luta pela demarcação de terras.
O Boi Bumbá Garantido comendo capim. Foto: Junio Matos/A CRITICA
Integrante do Balé Folclórico da Bahia participa da apresentação da toada "Quilombo da Baixa", uma das homenagens da noite. Foto: Jeiza Russo
Entre as homenagens da noite, o boi Garantido evoluiu para os jurados com um pot-pourri de “Segunda Evolução (1996)” e “Terceira Evolução (1997)”, de Tadeu Garcia. Indígenas do povo Kamarayano, subgrupo do povo Hixkaryana, compareceram à arena do Bumbódromo durante a execução da lenda amazônica “Kamara”, ou Onça-Mãe, que trouxe a cunhã-poranga, Isabelle Nogueira, a partir de um “sopro primordial”.
A alegoria da Kamara se abriu para revelar a Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira durante a apresentação da lenda amazônica. Foto: Junio Matos
Isabelle Nogueira surgiu no interior da alegoria da Kamara, um dos pontos altos do espetáculo vermelho e branco. Foto: Junio Matos
David Assayag, levantador de toadas, defendeu o item Toada, Letra e Música com a canção “Kamara”, escrita por Geandro Pantoja, Jorge Renato e Paulo Lindoso. João Paulo Faria, o Amo do Boi, trocou três vezes de indumentária em momentos estratégicos da arena. Um deles foi para atuar como coletor da Amazônia do povo Jamaxi, a Figura Típica Regional da noite, assinada pelo artista Kemerson Guerreiro.
João Paulo Faria caracterizou-se como coletor da Amazônia para representar a Figura Típica Regiona. Foto: Jeiza Russo
Lívia Cristina, Rainha do Folclore, representou esse povo que utiliza o jamaxi, um cesto cargueiro tradicional da Amazônia, trançado em fibras naturais e usado pelos povos indígenas para o transporte de alimentos, madeira e produtos da roça. Jeveny Mendonça, Porta-Estandarte, e Raíra Lins, Sinhazinha da Fazenda, fizeram aparições no primeiro momento da apresentação, durante a celebração temática da noite.
A Porta-Estandarte Jeveny Mendonça defendeu o item com evolução durante a segunda noite do Garantido. Foto: Jeiza Russo
A Sinhazinha da Fazenda, Raíra Lins, fez sua evolução durante a celebração temática da segunda noite do Garantido. Foto: Jeiza Russo
O Amo do Boi, João Paulo Faria, cumprimenta o presidente Fred Góes durante a apresentação do Garantido no Bumbódromo. Foto: Jeiza Russo
O apresentador do Boi Bumbá Garantido, Israel Paulain. Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA