Parintins 2026

O rufar dos tambores em Parintins

Marujada de Guerra do Caprichoso, Batucada do Garantido reúnem muita paixão e tradição

Rebeca Beatriz
23/05/2026 às 17:08.
Atualizado em 23/05/2026 às 17:08

Latas da Brahma homenageiam a Marujada de Guerra do Caprichoso e a Batucada do Garantido (Divulgação)

Antes mesmo do rufar dos tambores no maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo, o marujeiro e o batuqueiro anunciam num só ritmo a emoção que move o Festival Folclórico de Parintins.

O batuque do tambor carrega histórias, memórias, e paixão pelo boi. A Marujada de Guerra do Caprichoso e a Batucada do Garantido conduzem as torcidas, aceleram o coração e anunciam que o espetáculo vai começar. Essa força foi homenageada pela Brahma, pois Marujada e Batucada foram inspiração para a estampa nas latas da marca. Conheça um pouco da história do item 3 do festival.

Somos marujada de guerra

Marujada de Guerra representa o item 3 do Boi Caprichoso

 No lado azul, a história da Marujada de Guerra atravessa quase um século. Segundo o mestre Caio Vinícius Souza Silva, o grupo surgiu em 1930 e recebeu esse nome em homenagem aos marinheiros que atracavam na ilha e participavam das celebrações do boi. A história dele com a Marujada começou ainda na infância.

"Sempre foi um sonho participar. Só consegui entrar na Marujada em 2016 no repique! Fui me dedicando e em 2020 comecei a participar das gravações dos álbuns do Caprichoso. Em 2023 virei coordenador e ano passado virei mestre e estou à frente desse item, neste ano completo 10 anos de Marujada", diz.

Caio Vinícius é o mestre da Marujada de Guerra, no Caprichoso.

 Caio fala da responsabilidade de comandar os marujeiros e do sentimento pelo Caprichoso antes de entrar na arena.

"A Marujada vai muito além do ritmo. Ela representa uma nação inteira dentro da arena. É a pulsação, é a sustentação musical do nosso touro negro. Quando os ritmistas respondem juntos, no mesmo tempo o meu comando, parece que todo mundo vira um só coração pulsando pelo Caprichoso", explica.

Ritmo, cadência e tradição

Batucada do Garantido foi fundada por Lindolfo Monteverde

 Do lado vermelho, a Batucada do Garantido também carrega décadas de tradição. O mestre Francisnaldo Pinheiro explica que o grupo surgiu pouco depois da criação do boi, em 1913. Segundo ele, o mestre Lindolfo foi quem aperfeiçoou a formação rítmica ao trazer elementos aprendidos no Exército, incluindo a tradicional caixinha.

Os primeiros tambores eram feitos de barrica coberta com couro, numa construção artesanal que ajudou a formar a identidade sonora do Garantido.

Francisnaldo começou como batuqueiro do Garantido em 1998, tocando caixinha, e está no comando da batucada há 13 anos. Ele revela que o segredo da emoção transmitida pelo rufar do tambor está justamente na permanência de sua essência ao longo do tempo.

“A cadência tradicional, sem modificar muito a base do ritmo, emociona os torcedores há gerações. É uma memória afetiva permanente que passa através das gerações", afirma.

Francisnaldo Pereira é o mestre da Batucada do Garantido

 Entre os momentos mais marcantes da trajetória, ele relembra a emoção de conduzir a Batucada durante a ladainha da promessa do Garantido, em 2022.

“A maior emoção que tive foi conduzir a Batucada na ladainha da promessa. Recebi o convite da Camila Monteverde, neta de Lindolfo Monteverde, fundador do Boi Garantido, pra fazer isso em 2022, e fiquei muito honrado e feliz em fazer isso por essa família querida", relembrou.

O mestre também destacou que a sintonia entre ritmo e torcida também aparece como combustível para quem toca.

“Parece um estádio de futebol onde todos vibram juntos na mesma energia. Quanto mais a galera se empolga, mais a Batucada toca com emoção”, diz.

Mesmo após anos de festival, Francisnaldo garante que o coração ainda acelera quando os tambores começam a soar.

“O ritmo é apaixonante. A pulsação dos tambores cria uma energia que envolve todo mundo. Principalmente quando a música termina e fica só a Batucada tocando sozinha”, afirma.

Entre rivalidade e tradição, Marujada e Batucada seguem como símbolos vivos do Festival de Parintins. Mais do que acompanhar os bois, são elas que dão voz ao sentimento coletivo de duas nações apaixonadas que fazem da arena um território de memória, resistência e emoção.

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