Noite 2 - ritual indígena

Ritual xamanístico dos Asurini inspira alegoria do Boi Caprichoso na segunda noite

Com 25 metros de altura, “Ritual de Transcendência Asurini – Maraká”, assinada por Kennedy Prata, recria na arena a jornada espiritual conduzida pelo pajé em busca de cura, proteção e fortalecimento do povo indígena

Laynna Feitoza
27/06/2026 às 18:33.
Atualizado em 27/06/2026 às 18:33

Kennedy Prata é o artista responsável pelo item Ritual Indígena da segunda noite (Jeiza Russo)

A concepção ancestral de mundo do povo Asurini do Xingu, em que a saúde, a proteção e o equilíbrio da comunidade dependem da conexão entre seres humanos, natureza e espiritualidade, inspira a alegoria “Ritual de Transcendência Asurini – Maraká”, que representará o item Ritual Indígena na segunda noite de apresentações do Boi Caprichoso, na 59ª edição do Festival de Parintins.

A encenação recria o ritual xamanístico Maraká, conduzido por cantos sagrados, dança e pela atuação do xamã como elo entre o mundo humano e o espiritual, em uma jornada de encontro com espíritos guardiões e ancestrais responsáveis por trazer cura, força vital e proteção ao povo Asurini.

Assinada pelo arista Kennedy Prata, a alegoria possui 25 metros de altura, 22 metros de profundidade e 36 metros de boca de cena distribuídos em 8 módulos. Segundo o artista, a alegoria fará, na arena, uma representação de um ritual de passagem, onde o pajé vai tomar o seu chá e invocar os espíritos da floresta para exercer a sabedoria e a cura ancestral.

Atualmente, Kennedy também trabalha na escola de samba carioca Beija Flor

No ambiente do ritual, há uma espécie de mingau sagrado, partilhado entre as pessoas vivas e os espíritos. "Esses espíritos vêm para a cura dos doentes que estão na tribo, para fortalecer os que estão fracos. E nesses espíritos ele invoca quem? Ele invoca o porco queixada, a onça pintada, a iguana, esses animais da floresta", comenta ele.

Prata afirma que a alegoria foi construída em quatro meses. "O primeiro mês consiste na criação, onde recebemos o projeto do Conselho de Artes. Aí é quando vamos colocar em prática, porque ele já vem com uma ilustração. A partir disso, jogamos em escala, colocamos nas proporções e nisso conseguimos ter os tamanhos exatos para fazer algo maior. Ficamos livres para criar, só não podemos fugir do projeto que foi proposto", declara ele. 

Equipe que participou da construção do projeto alegórico

História

Kennedy trabalha há 23 anos no Boi Caprichoso, e é "cria" da famigerada Escolinha de Artes do Bumbá. As primeiras oportunidades que ele recebeu do Touro Negro surgiram quando ainda era apenas um garoto. "Estudei na Escolinha de Artes por 3 anos. Vim para o galpão por meio de um grande amigo que já se foi, o Juarez Lima. Trabalhei muito com o Juarez e, daí, conquistei meu espaço até receber a grande proposta, que era fazer uma alegoria", pondera Kennedy.

No Carnaval brasileiro, o artista parintinense é contratado exclusivo da escola de samba carioca Beija-Flor de Nilópolis. "O Gabriel [David, empresário) veio até nós. Procurou a gente aqui, a nossa equipe. Ele queria um serviço nosso, que fizéssemos um trabalho particular para ele e para o pai dele, o Seu Anísio, dentro da Beija-Flor. Eu aceitei a proposta. O cara é muito gente boa, é jovem que nem a gente. E eu estou lá junto com a equipe, e graças a Deus estamos sendo muito felizes. Fomos campeões ano retrasado e nesse ano ficamos na segunda colocação", completa Prata.

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