Boi de rua

Torcedores do Caprichoso se emocionam com o primeiro Boi de Rua desde o início da pandemia

Na concentração, no Curral Zeca Xibelão, o grupo Canto Parintins aqueceu a multidão.

Giovanna Marinho
18/06/2022 às 23:08.
Atualizado em 19/06/2022 às 00:37

Boi-bumbá Caprichoso ganhou as ruas da Ilha Tupinambarana na noite deste sábado (19) (Arleson Sicsu)

Com muita alegria a galera azulada do boi-bumbá Caprichoso marcou presença, na noite deste sábado (18), no tradicional Boi de Rua, o primeiro desde a pandemia da Covid-19. Na concentração, no Curral Zeca Xibelão, o grupo Canto Parintins aqueceu a multidão, que, às 22h, ganhou as ruas da Ilha Tupinambarana.
 
Torcedores do boi da estrela não esconderam a emoção, como a  dona de casa, Evelyn Muniz, 22 anos, que trouxe toda a família, inclusive a filha de 2 anos que pela primeira vez para a festa.

Evelyn Muniz trouxe toda a família, inclusive a filha de 2 anos que pela primeira vez para a festa.

 "É muita expectativa para o retorno do festival e para esse retorno do Boi de Rua. Botei ela [a filha] toda de Sinhazinha e vamos pra vitória. Ela gosta muito de dançar boi e a gente a trouxe", declarou Evelyn. 

A mesma emoção, marejou os olhos da universitária Márcia Rara, que contou a alegria de não somente ver a retomada da animação das ruas, após um período tão difícil, mas também pode conferir a renda da família saltar.

"A gente fica arrepiada o tempo todo porque é a cultura da gente. Eu nasci em Parintins, cresci aqui nessa rua do curral do caprichoso, então pra mim é muito emocionante e pra toda a minha família também. A gente perdeu muita gente conhecida que gostaria muito de estar aqui, mas infelizmente não pode", disse a universitária ao narrar também a alegria da prima Miê Rara, que possui deficiência intelectual, voltar a Parintins. 

Universitária Márcia Rara curtiu junto com a prima Miê Rara, que possui deficiência intelectual.

"Ela mora em Manaus e é apaixonada pelo Caprichoso, participou de todos os ensaios. Ela está voltando esse ano aqui e ela não quer mais nem ir embora de Parintins. Toda vez que falam que ela vai embora ela chora, porque ela ama Parintins e ama essa cultura", contou Márcia.

DIFICULDADES NÃO IMPEDEM

O primeiro Boi de Rua após dois anos de silêncio na Ilha da Magia despertou ainda mais o amor do torcedor azul e branco. Dona Clariza Souza, 89 anos, por exemplo, mesmo com dificuldades de locomoção por conta sa idade, não deixou de participar. 

A filha dela Maria José Teixeira, 69, que é professora aposentada, contou a reportagem que a mãe enfrentou diversos problemas de saúde nos anos anteriores, mas neste ano fez questao de reunir a família.

"Quando foi esse ano ela exigiu: eu quero ir no boi de rua. É esse ano em agosto ela faz noventa anos", disse Maria José ao contabilizar netos, filhos e bisnetos que acompanhavam o tricículo em que a matriarca era transportada. 

O amor de Clariza pelo Touro Negro é tanto que arrastou até os familiares que torcem pro boi vermelho. Mas a filha Ana Izabel Teixeira, 59, que é  professora afirma: o amor pelo folclore paeintinense é unanimidade entre toda a família. 

"Todo mundo é apaixonado pelo Festival de Parintins. Nesse dia todo mundo se reúne por causa dela, tanto que organizamos toda essa logística só pra ela", reforçou 
a filha.

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