Em Manaus, ato ocorre às 6h30 na Refinaria Isaac Sabbá
(Foto: Reprodução)
Petroleiros de todo o país realizam atos contrários à privatização da Petrobras nesta quinta-feira (2). Os protestos ocorrem após o governo federal demonstrar interesse em desestatizar a empresa em um momento de escalada no preço dos combustíveis em ano eleitoral.
O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, prometeu a “maior greve da história do país” caso o governo federal avance com o plano de privatizar a Petrobras. A fala foi dita durante audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (1), na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra), do Congresso Nacional.
“Caso o governo federal tenha essa ousadia, essa audácia de colocar um projeto de lei dentro dessa casa [Câmara dos Deputados] ou no Senado, dizendo que vai privatizar [a Petrobras], nós já aprovamos no final do ano passado um estado de greve para, caso o governo faça isso, nós possamos realizar a maior greve da história da categoria petroleira”, disse ele.
Na segunda-feira (30), o Ministério de Minas e Energia formalizou um pedido para que o Ministério da Economia incluísse a Petrobras no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), sinalizando para uma futura privatização da empresa. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto 11.085/22, que torna a Pré-Sal Petróleo S.A, outra empresa da União no setor, qualificada para ser desestatizada.
“Amanhã, dia 2 de junho, a categoria petroleira estará fazendo atos em todo o Brasil, do Norte ao Sul, em todas as unidades operacionais e administrativas [da Petrobras], sinalizando que está e será contrária à privatização”, ressaltou o coordenador geral da FUP, na audiência do Congresso.
O Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) deve realizar o ato às 6h30, segundo divulgou nas redes sociais. A manifestação será unificada, seguindo o calendário da FUP, e ocorrerá na sede da Refinaria de Manaus Isaac Sabbá, em Manaus.
Venda da Reman
Além da privatização da Petrobras, tanto a FUP quanto o Sindipetro-AM são contrários à venda da Refinaria de Manaus, que está em processo de venda para o Grupo Atem. Segundo essas organizações de trabalhadores do setor, a venda da refinaria irá criar um monopólio na região Norte do país, já que a principal interessada (Atem) já atua no setor, através da venda de combustíveis.
“Na Amazônia, [o governo está vendendo] campos de produção de petróleo. O campo do Azulão, de Juruá, de Urucu. Alguns desses já foram vendidos ou estão em venda. A Reman, nós do Ineep fizemos um estudo [...] e percebemos que a Reman estava sendo vendida com um valor 40% abaixo das estimativas”, disse o pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Eduardo Costa Pinto, durante a audiência.