Levantamento

Amazonas lidera letalidade policial contra pessoas negras, aponta estudo

Nos nove estados monitorados — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.

acritica.com
01/07/2026 às 10:05.
Atualizado em 01/07/2026 às 10:05

(Foto: Divulgação)

O Amazonas registrou, em 2025, a maior proporção de pessoas negras entre as vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial nos nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. De acordo com o relatório Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã, divulgado nesta terça-feira (1º), 96% das 43 pessoas mortas em ações policiais no estado eram negras, percentual superior ao observado em todas as demais unidades da federação analisadas.

O levantamento mostra que o número absoluto de mortes permaneceu estável em relação a 2024, repetindo o menor patamar da série histórica iniciada em 2019. Apesar disso, os pesquisadores afirmam que a estabilidade dos registros não significa redução das desigualdades. Ao longo dos últimos sete anos, o Amazonas contabilizou 535 mortes decorrentes de intervenção policial, mantendo um padrão de forte concentração das vítimas entre a população negra.

Outro aspecto destacado pelo estudo é a mudança na distribuição geográfica da violência policial. Pela primeira vez desde o início do monitoramento, o interior do estado concentrou a maior parte das ocorrências. Dos 43 casos registrados em 2025, 27 aconteceram em municípios do interior, o equivalente a 62,8% do total. Em contrapartida, Manaus respondeu por 37,2% das mortes. A violência também se espalhou por um número maior de cidades: passou de 10 municípios, em 2024, para 16 no ano passado.

Entre os municípios, Coari chamou a atenção dos pesquisadores. Mesmo concentrando apenas 1,6% da população do Amazonas, a cidade respondeu por 16,3% das mortes decorrentes de intervenção policial registradas no estado em 2025, evidenciando a interiorização da letalidade.

O perfil das vítimas também segue um padrão observado em outras regiões do país. A maior parte dos mortos tinha entre 18 e 29 anos, enquanto a Polícia Militar foi responsável por 75% das ocorrências registradas. O relatório ainda destaca a ausência de reconhecimento oficial de vítimas indígenas, embora o Amazonas possua a maior proporção de população indígena do país, com 12,5% dos moradores autodeclarados indígenas, segundo dados do IBGE.

CENÁRIO NACIONAL

Nos nove estados monitorados — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — foram registradas 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Entre as vítimas com raça ou cor identificadas, 86,3% eram negras. Jovens de até 29 anos representaram 64,8% dos mortos, enquanto 312 vítimas eram crianças e adolescentes com até 17 anos.

Com base nas taxas por 100 mil habitantes, o estudo aponta que pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais risco de morrer em intervenções policiais do que pessoas brancas nos estados analisados. Para a cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança, Silvia Ramos, os números demonstram que a letalidade policial no Brasil segue atingindo de forma desproporcional a juventude negra.

"Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias. Se esse padrão se repete há sete edições do Pele Alvo, totalizando 28.799 mortes, fica evidente que ainda não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas", afirma.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por