Nova sentença no processo impõe penas por tráfico de drogas e associação para o tráfico; cinco condenados permanecem presos e dois poderão recorrer em liberdade.
Cleusimar e Ademar Cardoso, mãe e irmão da ex-empresária Djidja Cardoso (Foto: Junio Matos/AC/30/05/2024)
A juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante condenou, nesta quarta-feira (22), sete réus investigados na Operação Mandrágora pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, no processo relacionado ao Caso Djidja Cardoso.
Foram condenados Cleusimar Cardoso Rodrigues, Ademar Farias Cardoso Neto, Verônica da Costa Seixas, Hatus Moraes Silveira, Sávio Soares Pereira, José Máximo Silva de Oliveira e Bruno Roberto da Silva Lima por tráfico de drogas, associação para o tráfico e outros crimes.
Na nova sentença, Cleusimar Cardoso Rodrigues, mãe da empresária Djidja Cardoso, foi condenada a mais de 10 anos de reclusão. A magistrada determinou o cumprimento da pena em regime inicial fechado, manteve a prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade.
O irmão de Djidja, Ademar Farias Cardoso Neto, foi condenado a 10 anos e 11 meses de reclusão, também em regime fechado. A juíza destacou a gravidade das condutas e as circunstâncias judiciais desfavoráveis para justificar o regime mais severo, mantendo sua prisão preventiva e negando o direito de recorrer em liberdade.
A ex-gerente do salão Belle Femme, Verônica da Costa Seixas, recebeu pena de 10 anos de reclusão, em regime fechado. Apesar da condenação, ela poderá recorrer em liberdade.
O personal trainer Hatus Moraes Silveira foi condenado a 10 anos e cinco meses de reclusão, em regime fechado, sem direito de recorrer em liberdade.
Verônica era gerente do salão Belle Femme (Foto: Junio Matos/AC/30/05/2024)
José Máximo Silva de Oliveira, proprietário da clínica veterinária MaxVet, foi condenado a 10 anos e seis meses de reclusão, também em regime fechado. A sentença manteve sua prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade.
O ex-namorado de Djidja, Bruno Roberto da Silva Lima, recebeu pena de oito anos e seis meses de reclusão, em regime inicialmente fechado. Diferentemente da maioria dos condenados, ele poderá recorrer da decisão em liberdade.
LEIA MAIS: Do luto à prisão: relembre como a morte de Djidja Cardoso revelou esquema de 'seita' na família
Entre os sete condenados, apenas Sávio Soares Pereira, funcionário da clínica MaxVet, cumprirá a pena inicialmente em regime semiaberto. Condenado a nove anos de reclusão, ele teve reconhecida a detração penal pelo período em que permaneceu preso preventivamente desde 8 de junho de 2024. A juíza considerou que o réu é primário e que não havia circunstâncias judiciais desfavoráveis suficientes para justificar a manutenção do regime fechado.
Segundo a magistrada, os depoimentos de policiais civis do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), aliados às provas produzidas durante a investigação, foram fundamentais para a condenação dos réus.
Bruno, ex-namorado de Djidja Cardoso, foi condenado a oito anos e seis meses de reclusão em regime fechado (Foto: Paulo Bindá/AC/29/05/2024)
A decisão substitui a sentença proferida em 2024 pelo então juiz da 3ª Vara de Tráfico de Drogas, Celso de Paula. Na ocasião, os réus também haviam sido condenados por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Posteriormente, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas anulou o julgamento ao reconhecer que laudos periciais das substâncias apreendidas foram juntados aos autos fora do momento processual adequado, sem que a defesa tivesse oportunidade de se manifestar, em violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa.
Com a anulação, o processo retornou à primeira instância, culminando na nova sentença proferida pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante.
O processo está relacionado a morte da empresária, Dilemar "Djidja" Cardoso, 32 anos, ex-sócio proprietária do salão Belle Femme, que morreu em 28 de maio de 2024, no quarto da residência onde vivia com a mãe, Cleusimar, e o irmão, Ademar, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte depressão respiratória e cardíaca provocada pelo abuso de cetamina, substância utilizada na medicina veterinária como anestésico.
Em 30 de maio de 2024, o 1º DIP deflagrou a Operação Mandrágora, que resultou nas prisões preventivas de Cleusimar, Ademar e Verônica Seixas. Com eles, foram apreendidos frascos de cetamina, seringas e agulhas.
No mesmo dia, o maquiador Marlisson Dantas e a maquiadora Claudiele da Silva compareceram voluntariamente ao 1º DIP, acompanhados por seus advogados. Em 3 de junho, Bruno Roberto Lima prestou depoimento sobre a morte da ex-companheira.
Na segunda fase da operação, deflagrada em 7 de junho, Bruno Roberto e Hatus Moraes Silveira foram presos preventivamente. Também foram presos José Máximo Silva de Oliveira, proprietário da clínica veterinária MaxVet, além dos funcionários Emicley Araújo Freitas Júnior e Sávio Soares Pereira.
SAIBA MAIS: “Pai, Mãe, Vida”: inquérito do caso Djidja revela seita para promover o tráfico e o uso de drogas