questão judicial

"Ele não tem conhecimento do pedido de prisão", afirma advogado de Simão Peixoto

Segundo a PF, um mandado de prisão foi expedido no nome do então prefeito de Borba, mas ainda não foi cumprido. Defesa dele afirma que houve apenas o pedido de asfatamento do cargo

Karina Pinheiro
09/01/2024 às 15:52.
Atualizado em 09/01/2024 às 15:52

Simão Peixoto é investigado em Operação da Polícia Federal (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal não confirmou que o prefeito de Borba (há 151 quilômetros de Manaus), Simão Peixoto, esteja preso. Para A CRITICA, o representante do político, José Brasil, afirmou que o prefeito irá prestar esclarecimentos à Justiça Federal na tarde desta terça-feira (9).

“Ele vai prestar esclarecimento, sim, à Justiça Federal. Ainda hoje ele irá à Justiça Federal. Ele ainda não tem conhecimento do pedido de prisão, até porque a Polícia Federal não deixou a cópia da decisão para Justiça Federal, apenas encaminhou um ofício”, afirmou o representante

Simão é investigado pela Polícia Federal, suspeito de manipular testemunhas em uma investigação contra ele que apura desvios de recursos públicos destinados à compra de merenda escolar no ano de 2020, durante a pandemia do Covid -19, através da Operação Voz do Poder.

De acordo com a PF, um mandato judicial, que inclui também o afastamento do prefeito de suas funções públicas por um período de 180 dias e a execução de outras diligências necessárias para a coleta de provas, foi cumprido nas cidades de Borba e Manaus. 

O prefeito de Borba não chegou a ser detido ou foi alvo de um pedido de busca e apreensão por parte da PF, segundo o representante de Peixoto. Ele também nega que Simão Peixoto esteja foragido.

“A Polícia Federal apareceu na Prefeitura, não realizou busca e apreensão, mas trouxe um ofício mencionando a Câmara, dizendo que ele está afastado por 180 dias do cargo. Porém, como o processo corre em segredo de Justiça, não sabemos ainda se há ou não, se é verdadeiro ou não, o pedido de prisão, até porque nós estamos nos habilitando, pedindo habilitação no processo para verificar se realmente existe um mandado de prisão preventiva, mas não está preso, nem foragido”, disse José

O chefe das investigações da Polícia Federal, Domingos Sávio afirmou que um mandado de prisão foi expedido para Simão.

“Há um mandado de prisão contra ele. Agora o que ele fala, se ele fala que não tem. Aí você tem que perguntar dele”.

Em nota enviada A CRITICA, a Polícia Federal informou que a prisão não foi cumprida tendo em vista que o investigado não estava na sede do município.

"Os advogados entraram em contato com a PF para informar que o mesmo irá se apresentar à Justiça".

Sobre as investigações

As investigações revelaram indícios de que os kits de merenda escolar fornecidos não continham ou possuíam uma quantidade muito reduzida de carne de boi, divergindo significativamente do volume contratado. Além disso, constatou-se a ausência de charque nos kits, indícios de falsificação nos recibos de entrega e possíveis pagamentos sem comprovação documental.

A PF informou que a medida de prisão preventiva e o afastamento do cargo do prefeito foram solicitados após evidências de que ele conduziu uma videoconferência com servidores municipais intimados pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos relacionados à referida investigação. Neste encontro, o prefeito teria oferecido assistência jurídica e fretamento de aeronave, custeados pela Prefeitura, o que poderia representar uma tentativa de influenciar indevidamente as testemunhas.

A CRÍTICA tentou entrar em contato com Peixoto, entretanto, ele preferiu não se manifestar até o momento.

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