Gil Romero Machado Batista e José Nilson Azevedo da Silva serão julgados pelo assassinato brutal de Débora Alves e do bebê Arthur
Acusados Gil Romero e José Nilson. Ao centro, a vítima, Débora Alves (Fotos: Reprodução/Internet)
“Eu acredito na Justiça e tenho esperança de que eles recebam a pena máxima pelo que fizeram com a minha filha”, afirmou José Júnior, pai de Débora da Silva Alves, de 18 anos, vítima de um brutal feminicídio ocorrido em 2023, na zona Leste de Manaus. Quase três anos após o crime que chocou o Amazonas e ganhou repercussão nacional pela extrema crueldade, os acusados Gil Romero Machado Batista e José Nilson Azevedo da Silva, conhecido como “Nego”, irão a júri popular no próximo dia 27 de maio, conforme informações do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).
O julgamento será realizado no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, localizado no bairro São Francisco, zona Centro-Sul da capital amazonense. Familiares e amigos da vítima aguardam a decisão da Justiça com expectativa de uma condenação rigorosa dos envolvidos.
José Júnior, pai de Débora, cobra da Justiça a condenação dos culpados pela morte da filha e do neto. Foto: Divulgação
A mãe de Débora, Paula Silva, também demonstrou confiança de que os acusados serão responsabilizados pelo assassinato da jovem e do bebê Arthur, que ela esperava. “Eu acredito em Deus. Sabemos que a Justiça dos homens muitas vezes falha, mas sigo orando para que eles paguem pelo que fizeram com a minha filha e com o meu neto”, declarou emocionada.
Débora desapareceu no dia 29 de julho de 2023. Dias depois, o caso passou a mobilizar as forças de segurança do Amazonas diante das circunstâncias chocantes envolvendo o desaparecimento da jovem, que estava grávida de oito meses do pequeno Arthur.
Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), Débora foi assassinada no dia 30 de julho de 2023, nas dependências da Usina Termoelétrica Mauá 2, localizada na Estrada da UTM, no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus. Os principais acusados pelo crime são Gil Romero Machado Batista, apontado como pai da criança, e José Nilson Azevedo da Silva.
De acordo com o MP-AM, a vítima foi asfixiada com um fio elétrico. Em seguida, os criminosos teriam ateado fogo no corpo da jovem. A investigação aponta ainda que Gil Romero retirou o bebê do ventre de Débora após o assassinato. Conforme a denúncia, o recém-nascido foi colocado dentro de um saco e jogado em um rio nas proximidades da cena do crime.
Ainda segundo o Ministério Público, Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora, e o crime teria sido motivado pela tentativa de esconder a relação e a gravidez da vítima.
As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) revelaram detalhes ainda mais cruéis do feminicídio. Conforme a polícia, Débora foi torturada, estrangulada, teve o útero aberto e o feto retirado. O corpo da jovem foi colocado dentro de um tonel com óleo diesel e submetido a altas temperaturas na tentativa de dificultar a identificação e ocultar o cadáver.
Após o crime, Gil Romero fugiu do Amazonas, mas foi localizado e preso no dia 8 de agosto de 2023, no município de Curuá, no Pará, durante uma operação conjunta das polícias civis dos dois estados. Em depoimento, ele confessou ter matado Débora e admitiu ter lançado o corpo do bebê em um rio.
José Nilson foi preso dias antes, em 4 de agosto. À polícia, ele alegou ter apenas ajudado no transporte do corpo para o local onde seria queimado.
Na época, a DEHS indiciou Gil Romero e José Nilson pelos crimes de feminicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, emprego de crueldade e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver, aborto provocado por terceiro e associação criminosa.
No dia 14 de maio de 2024, o juiz Fábio Lopes Alfaia, titular da 2.ª Vara do Tribunal do Júri, decidiu pronunciar os réus para julgamento popular. Na decisão, Gil Romero e José Nilson foram enquadrados por duplo homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, asfixia, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio, além dos crimes de aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
O caso teve grande repercussão nacional devido à brutalidade do crime, às circunstâncias do desaparecimento de Débora e à forma cruel como o corpo da jovem foi ocultado. Familiares esperam que o julgamento represente uma resposta da Justiça diante de um dos crimes mais violentos registrados no Amazonas nos últimos anos.