INFORMÁTICA FORENSE

Perícia de informática da Polícia Civil ajuda a esclarecer homicídios e golpes no Amazonas

Setor do Instituto de Criminalística atua na extração e análise de dados digitais usados em investigações de crimes em todo o estado

Thiago Monteiro
09/05/2026 às 15:10.
Atualizado em 09/05/2026 às 15:10

O perito criminal Erley Soares e a perita Vivian Lane atuam no Setor de Informática Forense do Instituto de Criminalística Lorena dos Santos Baptista (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)

Crimes de homicídio, violência doméstica, tráfico de drogas, injúria, difamação, golpes pela internet, assédio sexual, pedofilia e até o auxílio no cumprimento de decisões judiciais estão sendo esclarecidos com o apoio de investigações realizadas por meio da Informática Forense do Instituto de Criminalística Lorena dos Santos Baptista (IC-LSB).

“A perícia de informática trata de todo equipamento que armazena dados. Geralmente, a população associa esse trabalho apenas a celulares, computadores e notebooks, mas qualquer dispositivo com capacidade de armazenamento pode passar por perícia, incluindo câmeras digitais, videogames e até eletrodomésticos”, explicou a perita do Setor de Informática Forense (SIF) e mestre em informática, Vivian Lane.

Segundo ela, os dados rastreados, dependendo da forma como foram utilizados, podem se tornar evidências de crimes.

“Todo crime que envolva recurso tecnológico pode demandar a atuação da perícia de informática. Muitas pessoas relacionam esse trabalho apenas ao cibercrime, que realmente é importante, mas qualquer equipamento usado para armazenar informações pode estar ligado a diferentes tipos de delitos, inclusive no planejamento e na execução. Nosso trabalho consiste em preservar essa evidência, utilizando ferramentas adequadas para extração, análise e processamento dos dados, contribuindo diretamente para a investigação”, destacou Lane.

A extração e o processamento de dados digitais ajudam a Polícia Civil a esclarecer crimes como homicídios, golpes virtuais e violência sexual. Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

 Vivian Lane detalha ainda que todas as informações presentes nos dispositivos precisam ser comprovadas, já que praticamente tudo o que é feito em um aparelho eletrônico deixa rastros.

“Vivemos em um mundo cercado por dados, com terabytes de informações. Por isso, os dados relevantes para a investigação são categorizados, relacionados e utilizados como subsídios para identificar a materialidade e a autoria dos crimes. Mesmo quando uma pessoa apaga uma informação, ela deixa vestígios, e são justamente esses rastros que seguimos”, afirmou.

Milhares de dados

A perita informou que a Polícia Civil trabalha com milhares de celulares, computadores, notebooks, tablets, cartões de memória e outros dispositivos para desvendar crimes em todo o estado.

“Temos aqui um setor com apenas cinco pessoas que atende todo o Amazonas”, concluiu.

Casos marcantes

De acordo com o perito criminal Erley Soares, especialista em Perícia Criminal e Segurança Pública, um dos casos mais marcantes envolveu uma mãe que acusava o pai da criança de abuso sexual.

“Durante as investigações, conseguimos reconstruir conversas de texto pelo WhatsApp, inclusive fragmentos de mensagens apagadas, e constatamos que a mãe era conivente com os abusos. Ela chegou como vítima, mas acabou saindo como ré também”, relatou Soares.

Peritos do Setor de Informática Forense realizam análise de equipamentos utilizados em investigações de crimes no Amazonas. Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

 Para a perita Vivian Lane, um dos casos mais impactantes foi relacionado a um suicídio, no qual foi encontrada uma carta supostamente digitada pela vítima.

“O computador foi recolhido para identificar se aquela carta havia sido produzida nele. Visualmente, o arquivo não estava salvo, mas conseguimos localizar um fragmento do texto em uma área não alocada do sistema, o que indicava um possível salvamento automático do Word. A pessoa não havia gravado o documento, mas o próprio sistema registrou parte dele, e isso possibilitou a correlação entre a carta e o computador analisado”, explicou.

Segundo ela, recentemente a Informática Forense também foi fundamental em uma perícia envolvendo um sistema hospitalar.

“Nesse caso, alguns computadores foram enviados ao Setor de Informática Forense, mas em várias situações foi necessário realizar visitas técnicas ao próprio hospital, porque não era possível reproduzir toda a estrutura do sistema em laboratório. Fizemos simulações, testes e extração de logs, analisando exatamente o que foi feito e de que forma ocorreu. Houve erro? Que tipo de erro? Como aconteceu? São muitos questionamentos que exigem uma investigação além do óbvio. Trabalhamos com método, coleta de dados e análise laboratorial. Foi um trabalho que durou cerca de um mês”, afirmou Vivian Lane.

Dispositivos eletrônicos apreendidos em investigações passam por procedimentos de preservação e cadeia de custódia antes da análise pericial no Instituto de Criminalística. Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

Inseyets Cellebrite

 Um dos equipamentos tecnológicos utilizados pelos peritos do SIF é o “Inseyets Cellebrite”, ferramenta especializada na extração e análise de dados digitais. O sistema permite acessar conteúdos até mesmo em dispositivos protegidos. 

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por