Delegado concluiu que não houve homicídio doloso; inquérito foi enviado ao MP e à Justiça do Amazonas
Reulist Valente Miranda foi indiciado pelos crimes de maus-tratos com resultado morte do próprio filho de 6 anos (Foto: Reprodução)
Reulist Valente Miranda, 24 anos, foi indiciado pelos crimes de maus-tratos com resultado morte do próprio filho, Raelyson da Silva, 6 anos, por crime ocorrido no dia 18 de julho no município de Itapiranga (distante 227 quilômetros em linha reta de Manaus). O delegado Aldiney Nogueira, titular da 38ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) situada naquele município concluiu Inquérito Policial (IP) no útimo dia 30 de julho.
Nogueira descartou a hipótese de homicídio doloso, quando tem a intenção de matar. “Nossa conclusão foi de que não houve o crime de homicídio doloso qualificado, crime pelo qual ele (Reulis) foi autuado no dia da sua prisão em flagrante. As investigações, depoimentos e análise dos vídeos nos permitiram concluir que o crime praticado foi o de maus-tratos na forma qualificada com o resultado morte”, explicou Nogueira.
Conforme o IP, no dia do crime, Reulist deixou sob os cuidados do menino uma peça de carne, enquanto o suspeito foi buscar o pagamento de uma prestação de serviço. Ao encontrar novamente o filho, que estava em uma praça, a carne havia sumido. “Tomado por raiva, arremessou o objeto contra o filho, ocasião verbalizou a expressão ‘entra apanha, entra apanhar’, seguida de dois ruídos de impacto físico”, consta no IP.
Reulist, por volta das 11h, ao retornar para casa situada no bairro Belo Horizonte, em Itapiranga, ele arremessou contra o próprio filho, uma mochila escolar onde duas facas de uso doméstico estavam guardadas. O impacto da bolsa com a criança ocasionou a perfuração na região do toráx esquerdo do menino. Raelyson ainda chegou a ser levado com vida para o Hospital Regional Miguel Batista de Oliveira, localizado naquele município, mas não resistiu e morreu na unidade hospitalar.
“Nós entendemos que o crime se deu em situação de maus-tratos. O pai que tem a obrigação legal e o dever de guardar e zelar a integridade física do seu filho, acabou por ser o autor da sua morte por exagerar nos meios de correição e utilizar uma mochila para agredir o próprio filho. Não era razoável que ele se utilizasse desse objeto para castigo o seu filho, mesmo que não houvesse a presença de objetos pefurantes. Ele acabou por se exceder nos meios de correição ocasionando o óbito do seu filho”, detalhou o delegado.
Ao ser questionado na 38ª DIP, em depoimento, Reulist confessou que arremessou a mochila contra o filho, mas negou que sabia das facas dentro do acessório. Ele continua preso na unidade policial e, agora, indiciado pelos crimes de maus-tratos qualificado com resultado morte, majorados em razão da vítima ser menor de 14 anos. O IP foi encaminhado ao Ministério Público Estadual no Amazonas (MPE-AM) e ao Poder Judiciário em Itapiranga para o andamento dos procedimentos acerca do caso.