Polícia aponta ligação de organizações criminosas com extorsão, homicídios, tortura e lavagem de dinheiro em quatro estados
Delegado Fernando Bezerra detalhou esquema de agiotagem, extorsão e movimentação milionária investigado pela Polícia Civil do Amazonas (Fotos: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
Agiotagem, extorsão, homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro, cárcere privado, aborto e lavagem de dinheiro estão entre os crimes dos investigados presos durante a Operação “Covil de Mamon”, deflagrada nesta quarta-feira (20) nos estados do Amazonas, Paraíba, Roraima e Santa Catarina. Dois policiais militares, responsáveis pelo núcleo financeiro das ORCRIMs, também foram presos.
A ação policial, coordenada pelos 12º e 20º Distritos Integrados de Polícia (DIP), com o apoio do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM), cumpriu 26 mandados de prisão preventiva, 31 de busca e apreensão e o sequestro de 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete pessoas jurídicas ligadas a organizações criminosas que movimentaram mais de R$ 24 milhões, provenientes de atividades ilícitas.
Objetos apreendidos durante a operação serão periciados para reforçar as investigações sobre lavagem de dinheiro e extorsão
De acordo com o delegado Fernando Bezerra, do 20° DIP, a organização criminosa atuava a partir de empréstimos a juros abusivos e dívidas com progressões injustificadas, culminando em cobranças com ameaças, lesões corporais, sequestro e, em alguns casos, homicídios.
Dentre as prisões cumpridas durante a Operação, estão dois policiais da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), responsáveis por integrarem o núcleo financeiro da organização criminosa, que foram presos no estado de Santa Catarina.
“Eles são os principais responsáveis pelo núcleo financeiro. Este núcleo trabalha exatamente com os atos de ocultação e de simulação, que são de lavagem de dinheiro. A investigação vai muito além da mera cessação da atividade criminosa de extorsão e de cobranças. Ela vai ainda na rota do dinheiro, buscando reaver todo o valor que foi retirado das vítimas e que, porventura, causou um dano financeiro para essas pessoas”, explicou o delegado.
Polícia apreendeu armas, equipamentos eletrônicos e materiais ligados às organizações criminosas investigadas
Agiotagem e extorsão
“São, na realidade, empréstimos a juros abusivos e extorsivos. Temos casos aqui de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. Outros casos em que a dívida progrediu em uma progressão que não se justifica, para mais de R$ 400 mil”, relatou o delegado Fernando Bezerra.
Ainda segundo o delegado, em uma das ações criminosas de cobranças dos empréstimos a juros abusivos, uma mulher grávida foi sequestrada e, durante o cárcere, perdeu o bebê.
A Operação “Covil de Mamon” apreendeu computadores, notebooks, livros de registros, armas de fogo, munições, coletes balísticos, espadas colecionáveis, e outros, além da realização do sequestro de 42 veículos, sete imóveis e bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete pessoas jurídicas, que serão periciadas para substanciar o inquérito que investiga as organizações criminosas.
Munições, computadores e documentos estão entre os materiais apreendidos durante a operação “Covil de Mamon”
Operação “Covil de Mamon”, deflagrada nesta quarta-feira (20) nos estados do Amazonas, Paraíba, Roraima e Santa Catarina, investiga duas organizações criminosas envolvidas em crimes de agiotagem, extorsão, homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro, cárcere privado, aborto e lavagem de dinheiro
De acordo com as investigações, os grupos criminosos operavam um esquema de empréstimos a juros exorbitantes, no qual o não pagamento nas datas estipuladas resultava em um sistema organizado de cobranças violentas.
O nome da operação faz alusão a “Māmôn”, tratando-se de um termo derivado do aramaico que significa "dinheiro", "riqueza" ou "lucro". Na mitologia cristã, refere-se a uma uma entidade frequentemente associada à ganância, avareza e ao deus do dinheiro e/ou demônio da ganância.