São seis candidatos ao governo do Estado: David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede), Maria do Carmo (PL), Omar Aziz (PSD) e Roberto Cidade (União).
(Foto: Divulgação)
Com a realização das convenções de Roberto Cidade (União) e Maria do Carmo (PL), na noite desta terça-feira, está completamente desenhado o tabuleiro eleitoral para as eleições 2026 no Amazonas.
São seis candidatos ao governo do Estado: David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede), Maria do Carmo (PL), Omar Aziz (PSD) e Roberto Cidade (União).
Em comparação às eleições de 2022, são dois candidatos a menos. Nas últimas eleições para o governo do Amazonas, nas quais o então governador Wilson Lima (União) foi reeleito, oito candidatos disputaram o cargo: Amazonino Mendes (Cidadania), Carol Braz (PDT), Dr. Israel Tuyuka (Psol), Eduardo Braga (MDB), Henrique Oliveria (Podemos), Nair Blair (Agir), Ricardo Nicolau (Solidariedade) e Wilson Lima (União) foram os candidatos.
O que se pode perceber é que, em comparação com 2002, neste ano menos candidatos totalmente desconhecidos pelo eleitorado amazonense, ou “nanicos”, como costumam ser chamados no jargão político, se dispuseram a concorrer ao principal cargo majoritário do estado.
Com o tabuleiro armado, três máquinas administrativas públicas se enfrentam na disputa. Compondo o palanque do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva no Amazonas, Omar Aziz vai contar com o apoio da máquina federal em sua campanha. No âmbito local, há o combate entre as máquinas estadual, na campanha de reeleição do governador Roberto Cidade, e municipal (Manaus), que vai apoiar a campanha do ex-prefeito David Almeida.
COLIGAÇÕES
Para fortalecer suas candidaturas, alguns candidatos e seus partidos ou federações buscaram, como é de praxe, outras forças políticas com as quais formam os arcos de alianças e as coligações que disputam as eleições 2026 no estado.
Curiosamente, metade das candidaturas são oriundas de “voos solo” de suas legendas: os partidos PL, PSTU e a federação Rede Sustentabilidade/Psol decidiram não se coligar com outras legendas e apresentaram chapas “puro-sangue” em suas convenções.
Com o nome “Pra Cima Amazonas”, a coligação com a qual o ex-prefeito David Almeida disputa as eleições reúne os partidos Avante, PDT, Democracia Cristã, Agir e a Federação PRD/Solidariedade.
‘Arranjos locais foram decisivos’
“O resultado das composições eleitorais mais fortes demonstra que os arranjos locais foram mais decisivos do que os fatores ideológicos das siglas partidárias. Com exceção do Partido Liberal, que manteve o discurso e uma aliança afinada com a ideologia do partido, os demais acordos privilegiaram os interesses das siglas e dos políticos do Estado.
Uma constatação disso é a divisão dos tradicionais partidos de esquerda: o PSB está com Roberto Cidade, o PT e o PCdoB estão com Omar Aziz, e o PDT decidiu ficar com David Almeida.
É possível afirmar que, depois das convenções partidárias, as configurações políticas mostram um quadro bastante dividido e uma eleição muito competitiva.
O grupo político comandado pelo candidato ao Senado Wilson Lima, que conduz a candidatura de Roberto Cidade ao Governo do Estado, ficou menor. Em 2022, durante a reeleição, esse grupo contava com o apoio da maioria absoluta dos prefeitos, de David Almeida, então prefeito de Manaus, de Silas Câmara, então coordenador da bancada evangélica, do Partido Liberal (PL) e da presidência da Câmara Municipal de Manaus.
Hoje, porém, a realidade é diferente: o grupo ficou menor, mesmo controlando o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa do Amazonas.
Omar Aziz deixou de ser o grande protagonista do processo sucessório, como era há um ano e meio, porque as composições eleitorais mudaram. Embora continue competitivo, conta com o apoio da maioria dos prefeitos, da maior parte dos grandes partidos políticos, do maior tempo de televisão e rádio, de uma bancada expressiva na Assembleia Legislativa e do presidente Lula.
David Almeida conseguiu montar um arco de alianças com cinco partidos, manteve o apoio da Prefeitura de Manaus, possui uma bancada forte de vereadores e conta com correligionários na direção da Câmara Municipal da capital. Entretanto, enfrenta uma rejeição significativa em Manaus e não dispõe de grandes parceiros no interior do Estado, o que dificulta, inclusive, a montagem de uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados.
Maria do Carmo Seffair não conseguiu montar uma composição política ampla. Repetiu a estratégia eleitoral do PL nas eleições municipais de 2024, quando a legenda chegou ao segundo turno, mas não ampliou sua aliança e acabou derrotada na disputa pela Prefeitura de Manaus. Ainda assim, mantém força no eleitorado bolsonarista, o que pode lhe ser favorável caso as eleições nacionais influenciem os pleitos regionais.
As candidaturas do PSTU e da federação Rede Sustentabilidade apenas marcam posições políticas diante das dificuldades econômicas e de força popular.
Agora, cabe ao eleitorado escolher se cabe manter coerência ideológica ou votar no pragmatismo eleitoral.”
Palanque com direita e esquerda
Na contramão da decisão nacional do PSD de lançar o candidato Ronaldo Caiado à presidência, Omar Aziz preferiu montar o palanque de Lula no Amazonas e se coligou com parte da esquerda amazonense.
A coligação Amazonas Forte de Novo reúne a Federação da Esperança (PT, PCdoB e PV) e os partidos MDB, PSD e Republicanos, em uma combinação amazônia de esquerda, centro-direita e direita.
O discurso da coligação Amazonas Forte de Novo é o de retomar o estado da mão dos amadores que não construíram nada e deixaram tudo em situação de “terra arrasada”. A proposta é voltar a construir hospitais, delegacias e afins, e fazer o Amazonas voltar a crescer.
A coligação União pelo Amazonas, que apoia a candidatura de Roberto Cidade, também tem em seus arco de alianças partidos à direita e à esquerda. Se uniram a Federação União Progressista (União Brasil e PP), partidos tradicionalmente de direita, com Podemos, de centro-direita, e o PSB, que se posiciona à esquerda.
Na convenção, realizada nesta terça-feira (4), o discurso era o de continuar com os avanços na administração instaurados por Wilson Lima (União) e lutar contras as forças que teimam em querer barrar o novo – já nem tão novo assim – de avançar.