Reportagem do Metrópoles ouviu ex-funcionários que relataram o dia a dia na residência oficial do presidente durante o mandato de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro (Isac Nóbrega/PR)
Bastidores exclusivos revelados hoje (4) pelo site Metrópoles relatam o possível comportamento da família Bolsonaro dentro do Palácio do Alvorada. De acordo com a reportagem, furto de moedas e comidas, brigas entre Michele Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e assédio contra funcionário aconteciam com frequência no lugar e às vezes com a permissão de Bolsonaro.
Conforme o Metrópoles, um pastor, amigo de Michelle, nomeado como administrador da residência presidencial, ameaçava suspender o lanche de quem ousasse questioná-lo, tudo, segundo o próprio disse Pastor disse em uma reunião gravada às escondidas, com aval da então primeira-dama.
Segundo a reportagem, Michelle, com alguma frequência, protagonizava brigas colossais com Carlos e Jair Renan, os filhos 02 e 04 de Jair Bolsonaro. Numa dessas confusões, na frente dos empregados, o 04 precisou ser contido pelo pescoço por um segurança. Já Bolsonaro, teria arrombado a adega do palácio. O texto diz que o então presidente da República pôs abaixo, com o pé, a porta do cômodo onde fica guardado o estoque de vinhos da residência oficial.
O site publicou que os funcionários ouvidos pela reportagem viram Bolsonaro e Michelle levaram embora caixas e mais caixas de picanha, camarão e bacalhau comprados com dinheiro público que estavam armazenadas na câmara frigorífica anexa à cozinha. Ainda nos últimos dias de 2022, moedas jogadas por turistas no espelho d’água que enfeita a entrada do Alvorada foram “pescadas” e carregadas pelo “síndico” do palácio, também com autorização de Michelle para serem supostamente doadas a uma igreja.
Os funcionários relataram ao Metrópoles como se dava o fluxo de dinheiro vivo entre o Palácio do Planalto e o Alvorada para bancar despesas privadas da primeira-dama e de seus parentes. O Metrópoles reuniu evidências, de que Michelle, primeira-dama do Brasil até 31 de dezembro passado, recebia com regularidade, no Alvorada, envelopes de dinheiro enviados por Rosimary Cardoso Cordeiro, amiga íntima que no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro viu seu salário de assessora no gabinete de um senador governista ser quase triplicado.
Há uma investigação em curso, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, sobre uso de caixa 2 no Planalto. A investigação apura as suspeitas de que o principal ajudante de ordens de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, o tenente-coronel do Exército Mauro Cesar Barbosa Cid, operava uma espécie de caixa 2 com recursos em espécie que eram usados, inclusive, para pagar contas pessoais da então primeira-dama e de familiares dela. O caso também foi revelado pelo site Metrópoles há duas semanas.
Neste sábado (4), após a nova reportagem, o senador Humberto Costa (PT-PE) anunciou que vai protocolar pedidos de investigação contra a ex-primeira-dama.