Durante novena no Santuário de Aparecida, fiéis criticaram o nível dos debates políticos e defenderam propostas em vez de ataques entre candidatos
(Foto: Jeiza Russo/ A Crítica)
“A gente sabe que de vez em quando isso vem à tona; no momento eleitoral como esse, deixa a gente muito triste.”
A fala do empresário Paulo Abreu resume a reação de muitos católicos que participavam das celebrações da novena no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no bairro Aparecida, zona Sul de Manaus, durante esta terça-feira (29). A santa que dá nome ao bairro foi alvo de uma polêmica nos últimos dias, envolvendo uma fake news sobre a suposta destituição de seu título de Padroeira do Brasil.
O assunto, que tem pautado os debates entre apoiadores de Flávio Bolsonaro e Lula na corrida pela Presidência da República, foi visto sob outra perspectiva por parte da comunidade católica. Eles deixaram de lado a polêmica e apontaram a real preocupação: a qualidade do nível político praticado em anos eleitorais.
(Foto: Jeiza Russo)
O aposentado Arimar Dantas lamentou que os debates sejam, geralmente, repletos de ataques entre os candidatos. Na visão dele, essa tática esvazia o interesse, inclusive dos mais jovens, em relação à política e dificulta a busca por boas propostas.
Essa discussão em torno do nível da campanha eleitoral se mostra ainda mais profunda, de acordo com a análise da professora Rocil Sales. Natural da Venezuela, ela está há 30 anos no Brasil e se tornou cidadã brasileira, estando apta a votar.
“Há muita corrupção. Eles estão tão envolvidos que fica até difícil, para quem não escolheu um candidato, definir o seu voto; em todos os lados há muitos pontos negativos”, comentou.
Enquanto a comunidade católica olha para outro aspecto da discussão, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), restabeleceu, durante a noite de segunda-feira (28), a remoção de publicações que associavam o candidato Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O caso deve ser apreciado pelo plenário da Suprema Corte.