Decisão

Congresso decide sobre o fim da Taxa das Blusinhas

Com prazo de votação até 8 de setembro, parlamentares avaliam a revogação da taxa de importação

Portal A Crítica
29/08/2026 às 16:24.
Atualizado em 29/08/2026 às 16:24

Os parlamentares vão definir se tornam ou não lei a isenção do imposto de importação de 20% para compras (Divulgação)

O Congresso Nacional tem até 8 de setembro para a votação da Medida Provisória 1.357/2026, que revogou a Taxa das Blusinhas. Os parlamentares vão definir se tornam ou não lei a isenção do imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50, realizadas por pessoas físicas em plataformas credenciadas no Programa Remessa Conforme. A decisão terá efeito direto no poder de compra de milhões de brasileiros, especialmente no orçamento das famílias de menor renda.

​A urgência da medida reflete o forte apelo popular. Pesquisa recente conduzida pela PROTESTE revela que 92% dos consumidores brasileiros consideram correta a eliminação definitiva da cobrança. No Norte, 69% dizem que o Congresso deve priorizar a votação e 46% que votariam em quem defendesse acabar com o imposto.

Vigente entre agosto de 2024 e maio de 2026, a alíquota federal combinada ao ICMS estadual elevou substancialmente o custo final de produtos de baixo valor. Em âmbito nacional, 75% dos brasileiros responderam que se sentiram prejudicados pela taxa. No Norte, o índice foi de 64%, segundo a pesquisa.

​O volume do mercado de encomendas de pequeno valor por e-commerce internacional encolheu 19,5% sob a vigência do tributo. Por incidir sobre itens essenciais, a cobrança afetou desproporcionalmente as classes C, D e E, penalizando as famílias de menor capacidade financeira e desacelerando a cadeia logística e de entregas, geradora de empregos no país.

​Os dados reforçam o compromisso anunciado pelo Governo Federal e pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal de avançar com o fim definitivo da Taxa das Blusinhas.

“Tornar definitiva a isenção desse imposto de importação vai devolver ao brasileiro, especialmente ao de menor renda, o direito de escolha e de consumo. Estamos falando do acesso a itens básicos de vestuário, artigos escolares e utensílios domésticos, entre outros. Esse imposto é regressivo, interfere no livre mercado, reduz a concorrência e passa longe de ser solução para as demandas do varejo nacional. O que estudos técnicos apontam é que essa política tributária protecionista é injusta e ineficiente, pois não criou empregos e tampouco ampliou o salário dos trabalhadores”, afirma André Porto, diretor-executivo da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que congrega SHEIN, Alibaba e Amazon.

​​Compliance fiscal e próximos passos legislativos

​O encerramento do imposto federal de importação não compromete a fiscalização das remessas de até US$ 50, solicitadas por pessoas físicas, via e-commerce. O Programa Remessa Conforme, criado em 2023, segue com total transparência a partir do cadastramento prévio das empresas na Receita Federal e o compartilhamento antecipado de dados de vendas das grandes plataformas globais.

​Atualmente, a isenção vigora de forma temporária pela MP editada em maio. Caso o texto não seja convertido em lei pelo Congresso até 8 de setembro, a cobrança federal retornará automaticamente.

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