Psiquiatra lança pré-candidatura à presidência em evento nesta quinta (4), junto da apresentação dos candidatos do Avante no Amazonas
O evento, que aconteceu nesta quinta-feira (4), também reuniu candidatos do Partido Avante no Amazonas (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
O médico psiquiatra Augusto Cury, pré-candidato do Avante à Presidência da República, afirmou que se coloca na disputa na tentativa de romper a polarização que preenche a política nacional dos últimos anos. Ele também fez críticas ao novo tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e defendeu que o Brasil adote medidas de reciprocidade caso não haja alternativa.
"Dependemos dos Estados Unidos, mas eles dependem do Brasil quase que em igualdade de importação e exportação. O Brasil tem que ter soberania, não pode se colocar como pequeno servo no tabuleiro das nações. Ele deve ser valorizado na mais alta estatura. Hoje, pelo que nós já somos, pelo povo que temos, nós temos que nos fazer ser respeitados", disse.
Questionado pela reportagem de A CRÍTICA como avaliava o posicionamento de pré-candidatos e até mesmo de parte da população em apoiar medidas potencialmente prejudiciais à economia brasileira, o pré-candidato afirmou que quem está a favor de tarifas “para ganhar popularidade ou desviar focos com alguma estratégia política, está sendo contra o povo brasileiro. isso não está correto”.
“Um tarifaço desse não afeta o governo brasileiro, afeta as crianças, os adolescentes, as mulheres, os idosos. então, não é possível sermos servos de ninguém. Temos que respeitar os Estados, reitero que temos que ter todas as estratégias para resolver pacificamente, mas nós temos também de olhar nos olhos e dizer: ‘somos uma grande nação, somos a maior nação latino-americana e precisamos ser respeitados’”, frisou.
Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República
Estreante na política, Augusto Cury participa nesta quarta-feira (4) de um evento tanto para lançar sua pré-candidatura à Presidência como também apresentar quais serão os candidatos do Avante a deputados estaduais e federais nas eleições de 2026. Durante a manhã, Cury concedeu entrevista à imprensa, onde pregou abertamente contra a polarização política da nação.
Acompanhado do prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), do ex-prefeito e pré-candidato a governador David Almeida (Avante) e do presidente nacional da sigla, o deputado federal mineiro Luís Tibé, o novato reforçou a preocupação dos dirigentes do partido com a sociedade brasileira e busca “terminar ou pelo menos diminuir essa polarização”.
“A democracia não se fundamenta na unanimidade das ideias, mas na diversidade das ideias. Só há unanimidade onde há ditadura. Mas o que é impressionante é que os grupos que se digladiam se dizem detentores da verdade, e quando você é detentor da verdade, você suspende a sua capacidade de reconhecer seus erros e os dos seus líderes. Por isso, os piores inimigos de um líder são aqueles que aderem a ele radicalmente”, refletiu.
O deputado federal mineiro Luís Tibé também esteve presente.
Em sua fala, Augusto Cury apresentou alguns dos projetos que planeja divulgar em sua campanha política, como a valorização das mulheres. Ele lembra os dados mais recentes que confirmam que uma mulher é morta por um parceiro ou familiar a cada cinco horas e que o público feminino paga 4% a mais de juros anuais e recebem 21% a menos que os homens exercendo a mesma função.
“Queridas mulheres, no meu governo, vocês serão empoderadas. Além disso, por exemplo, no Supremo Tribunal Federal temos entre os ministros a doutora Cármen Lúcia que, saindo, provavelmente vai ter mais um homem como ministro. Se eu tiver o privilégio de chegar lá, se a população me escolher, os próximos dois ministros não serão homens, serão duas ministras”, disse.
O escritor também defendeu maior investimento no empreendedorismo e fez críticas a alta taxa básica de juros, a taxa Selic, hoje fixada em 14,5% pelo Banco Central, classificada por ele como um impeditivo para a formação de novos empreendimentos e para a sustentação da economia atual, apoiada no agronegócio e na indústria, justamente quando a inteligência artificial está em franco crescimento, arriscando empregos que dependem de criatividade e repetição.
“Eu nunca vi uma mudança tão grande que está às portas e as pessoas simplesmente não têm a mínima consciência disso. Nós precisamos ter em cada comunidade ou favela uma escola do empreendedor e uma agência de banco na microempresa. Em cada escola, igualmente, em cada igreja, em cada cidade. Meu projeto é que tenhamos um financiamento de pelo menos 10 milhões de microempresas nos próximos 8 a 10 anos”, enfatizou.
O pré-candidato a governador David Almeida foi questionado pela imprensa sobre qual estratégia adotará em sua campanha para furar a polarização política que permeia também o estado do Amazonas. O ex-prefeito de Manaus lembrou que venceu as eleições municipais de 2024 nesse mesmo cenário e conseguiu superar todas “essas forças antagônicas que se juntaram para nos derrotar”.
David Almeida, ex-prefeito e pré-candidato ao Governo do Amazonas
“Eu acredito que nós vamos vencer a eleição para o governo do Amazonas, porque em qualquer lugar do Brasil e do mundo, o prefeito que mais benefícios trouxe para a sua cidade vai ser reconhecido. Você pega as pesquisas hoje, tem 74% da população que não sabe nem em que vai votar”, disse.
David Almeida afirmou que a população, quando souber quem está na disputa, escolherá o mais apto para resolver os problemas pelos quais passa o Amazonas, citando que a educação vive “o pior momento da história” e que a saúde de média e alta complexidade “está na UTI, com os índices quais iguais aos da pandemia”.
“Se você pegar a segurança, o Amazonas é o quinto estado mais inseguro do Brasil. A cidade de Manaus é a sétima cidade mais violenta do Brasil, tudo fruto das políticas públicas do estado. Você vê agora, o estado está praticamente declarando a insolvência, assinaram a falência do estado”, criticou.
Renato Júnior, atual prefeito de Manaus
Para o ex-prefeito, o Amazonas não aguenta mais aventuras políticas e não dá mais para brincar de escolher o próximo governador. Atualmente, há outras quatro pré-candidaturas além da de David Almeida dispostas a disputar o governo estadual: o senador Omar Aziz (PSD), a empresária Maria do Carmo (PL), o governador Roberto Cidade (União) e o líder indígena Isael Munduruku (Rede).
Refletindo a polarização nacional, concentrada nas figuras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a disputa no Amazonas tem se concentrado em Omar Aziz, apoiado por Lula, e Maria do Carmo, apoiada pela família Bolsonaro. No entanto, as máquinas de Manaus e do Amazonas embaralham a disputa ao sustentar as candidaturas de David Almeida e Roberto Cidade, que têm potencial de furar a polarização.