Relatório norte-americano aponta Brasil e mais de 40 países em operação para burlar sanções e causar perdas de bilhões de dólares.
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O governo dos Estados Unidos publicou, na quarta-feira (25), um relatório acusando o Brasil e mais de 40 países de estarem envolvidos em um esquema ilegal que auxiliaria a China a burlar tarifas impostas pela Casa Branca. O documento, intitulado "O Grande Esquema do Transbordo", foi divulgado nesta semana.
A prática, chamada de "transbordo ilegal", ocorre quando um país alvo de sanções transfere sua produção para um terceiro país com o objetivo de enganar o destino final sobre a verdadeira origem da mercadoria, evitando assim a tarifação. Um exemplo dado no relatório é o de uma camisa chinesa que seria taxada em 50% nos EUA. Para evitar isso, a mercadoria é enviada ao Vietnã, onde passa por uma pequena modificação, como um bordado, e é reexportada para os Estados Unidos como um produto vietnamita, pagando uma tarifa de apenas 12,5%.
O relatório divide os países supostamente envolvidos em três categorias. A primeira, de "líderes de escala diversificados", inclui nações como Canadá, México, União Europeia e Israel, descritas como as que atuam de forma mais intensa no esquema. A segunda categoria, "líderes de escala com integração econômica significativa com a China", engloba países com profunda conexão à cadeia de produção chinesa, incluindo Turquia, Indonésia, Vietnã e Brasil. O terceiro grupo é formado por economias mais fracas e com menor volume de transbordo, mas que ainda seriam utilizadas pela China, como Argentina, Colômbia, Filipinas e Marrocos.
As acusações não se limitam à transformação de mercadorias chinesas para driblar a tarifação, mas também à simulação dessas transformações. A Casa Branca calcula que o esquema de triangulação comercial gere perdas tributárias para o governo norte-americano que variam de US$ 40 bilhões a mais de US$ 300 bilhões anualmente.
Em resposta, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington refutou as acusações. Ele declarou que a China se opõe firmemente à imposição unilateral de tarifas e acusou os Estados Unidos de "coerção econômica infundada" e de tentar prejudicar a estabilidade das cadeias produtivas globais. O porta-voz alertou que, caso os Estados Unidos persistam nesse caminho, a China tomará todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e interesses nacionais.