POLÍTICA NO INTERIOR

Gilmar Mendes reconduz Adail Pinheiro à prefeitura de Coari após 9 dias

Afastamento havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, ocorrido em 16 de setembro, no âmbito da operação Dinastia do Lago, que apurava fraudes em licitações se recursos de desvios públicos

Waldick Junior
26/09/2026 às 11:40.
Atualizado em 26/09/2026 às 11:40

Adail Pinheiro retorna ao comando da Prefeitura de Coari, após decisão do STF (Foto: Arquivo AC)

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou o afastamento de Adail Pinheiro da prefeitura de Coari, ocorrido em 16 de setembro, no âmbito da operação Dinastia do Lago, que apurava fraudes em licitações se recursos de desvios públicos.

“Hoje retorno ao cargo de prefeito pela graça de Deus e pelo voto soberano da maioria do povo de Coari, que me elegeu pela quarta vez para cuidar da cidade que tanto amo”, escreveu Adail em publicação nas redes sociais.

O afastamento havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, que, em abril, também abriu inquérito contra o deputado federal Adail Filho, filho do prefeito de Coari. A investigação teve início após a apreensão de cerca de R$ 1,25 milhão em espécie, transportados por três empresários em voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.

No final do ano passado, uma reportagem do portal UOL mostrou que a PF ligou os três empresários a Adail Filho e Adail Pinheiro. Na época, o parlamentar negou qualquer envolvimento. De acordo com a PF, foram identificadas transações suspeitas e indícios de desvios ligadas a contratos públicos feitos pela prefeitura de Coari e emendas parlamentares destinadas pelo deputado Adail Filho. Somente em contratos, a PF encontrou R$ 6 milhões.

A investigação que culminou com o afastamento de Adail Pinheiro aponta para uma atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com indícios de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas e para ocultação da origem e dos destinatários finais dos valores.

“As apurações também indicaram que tais empresas mantinham contratos firmados com o Município de Coari e teriam sido utilizadas como meio para a prática de fraudes em procedimentos licitatórios. Soma-se a esse quadro a existência de informações obtidas em fontes abertas que evidenciam a destinação de vultosos recursos públicos ao referido município, nos anos de 2024 e 2025, por intermédio de emendas parlamentares de autoria do deputado”, escreveu Moraes, na ocasião.

A reportagem tenta contato com a defesa de Adail Pinheiro.

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