"Uma BR-319 sustentável é, sim, prioridade para nós.", afirmou o presidente em entrevista exclusiva ao Jornal A CRÍTICA
Lula: apoio federal para ponte dependerá de estudos do governo estadual (Foto: Junio Matos)
Em entrevista exclusiva ao jornal A CRÍTICA, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma que o apoio federal para a construção de uma ponte no Porto da Ceasa para acesso à rodovia BR-319 depende da apresentação pelo Governo do Amazonas de estudos e projetos sobre o empreendimento.
Lula cumpre agenda no Amazonas hoje e amanhã para anunciar obras e realizar encontros políticos.
A seguir a entrevista:
A BR-319 está com edital para pavimentação aberto, depois de uma briga judicial, e uma das razões que permite as futuras obras foi a derrubada de vetos feita pelo Congresso na Lei do Licenciamento Ambiental. Mesmo diante deste contexto, podemos considerar a BR-319 uma prioridade sua?
Uma BR-319 sustentável é, sim, prioridade para nós. E por isso mesmo estamos trabalhando em um projeto que inclui não só asfalto e pontes, mas também a presença permanente do Estado, fiscalização, tecnologia, regularização fundiária, proteção ambiental, segurança pública e oportunidades econômicas.
Em 2023, encontramos uma estrada praticamente abandonada. Colocamos um trecho importante da rodovia no Novo PAC e retomamos as obras que estavam paralisadas. Investimos R$ 111 milhões para reconstruir a ponte de Curuçá, que desabou em 2022, matando 5 pessoas, e a ponte de Autaz Mirim, que desabou 10 dias depois. Hoje, elas estão prontas e em funcionamento.
Com o novo edital – que na verdade é de manutenção e melhoramentos, e não de pavimentação – garantiremos que trechos existentes da rodovia voltem a ter condições de uso pela população que já depende da estrada. A segunda etapa, que aí sim pavimentará os trechos restantes, só ocorrerá após o cumprimento de todas as exigências técnicas e ambientais. Em especial, ouviremos as comunidades locais antes de prosseguir, porque só faz sentido avançarmos em um projeto tão grande se garantirmos que o desenvolvimento traga segurança e oportunidades sustentáveis para quem mora em seu entorno.
A bandeira da BR-319 foi usada por muitos adversários políticos, que viram, no governo passado, não só as obras não andarem como a queda de pontes na estrada que agora estão sendo inauguradas pelo seu governo. O senhor acredita que este conjunto de obras pode reduzir tensões e trazer novos aliados no Norte do País?
Quando tomamos a decisão de aplicar recursos federais em um estado, nosso principal foco é trazer benefícios diretos para a população. E isso independe de qualquer coloração partidária ou disputa política.
A verdade é que expandimos em muito os investimentos no Amazonas, nas mais diversas áreas. Desde o início do governo aumentamos em duas vezes e meia o número de profissionais do Mais Médicos no estado, que passaram de 377 para 969. Beneficiamos quase 140 mil estudantes com o Pé-de-Meia, garantindo condições para que eles concluam o ensino médio. E levaremos o Instituto Federal do Amazonas para dois novos municípios: Manicoré e Santo Antônio do Içá.
Somado ao que temos feito em infraestrutura social e urbana e em crédito para a produção, o que vemos é um Amazonas com cada vez mais oportunidades para sua população. Segundo o IBGE, o estado fechou 2025 com seu menor nível histórico de desemprego: a taxa anual de 8,4%. E a renda domiciliar per capita também atingiu seu recorde, chegando a R$ 1.484.
Com a eventual conclusão da pavimentação da BR-319, o movimento no porto da Ceasa, em Manaus, para acessar a rodovia, vai ser muito intensificado. O senhor, que, no passado, viabilizou a construção da ponte sobre o Rio Negro, vê a possibilidade de construir outra, agora sobre o rio Amazonas?
Não tenho dúvidas de que Manaus precisa estar cada vez mais conectada às rodovias, mas para que o apoio federal seja concretizado, é preciso que o estado do Amazonas nos traga os estudos e projetos que são fundamentais para avançarmos no planejamento.
Foi assim que montamos o Novo PAC, com investimentos de R$ 11,4 bilhões diretamente no Amazonas, além de outros R$ 6,8 bilhões em projetos regionais. Incluímos tanto a BR-319 como o Porto Manaus Moderna no programa – e foi graças a isso que hoje estamos fazendo entregas e anúncios no estado.
Como sempre digo, o importante é que os estados apresentem bons projetos, com viabilidade econômica, social e ambiental. Com oportunidades de desenvolvimento e geração de empregos e renda para a população.
Boa parte da sua agenda está ligada a investimentos logísticos. A redução desses desafios logísticos pode ampliar o Minha Casa, Minha Vida no Estado, já que o déficit habitacional ainda é uma realidade?
Desde que iniciamos nosso governo, já contratamos a construção de 25,1 mil casas e apartamentos no Amazonas, com investimentos de R$ 3,8 bilhões. Ou seja, não ficamos esperando outras obras serem concluídas para só depois garantirmos que as pessoas exerçam seu direito a uma casa própria.
Nossas ações estão permitindo a entrega, hoje, de 576 moradias apenas no Residencial Morar Melhor: um conjunto habitacional moderno, com bibliotecas, quadra esportiva, centro comunitário e espaços habitacionais.
Mas sabemos que ainda há muito a fazer, pois os números mostram que o déficit habitacional dos estados do Norte ainda é de 13,6% - bem maior do que a média brasileira de 7,4%. Por isso mesmo, o Minha Casa, Minha Vida dá uma atenção especial a quem mora na região, com subsídios de até R$ 65 mil na entrada do imóvel financiado e menores taxas de juros.
Além do olhar para a BR-319, o Governo Federal tem investido em portos no interior e fará um robusto investimento de R$ 900 milhões no Porto da Manaus Moderna, somado a um incentivo via BNDES à construção de embarcações.
O Governo Federal estuda, também, de alguma maneira, incentivar a redução dos custos operacionais das viagens aéreas pelo estado, tendo em vista que os custos muitas vezes saem até mais caros que viagens ao exterior?
Sim. Entre os vários investimentos que estamos fazendo na Região Norte, está a melhoria da infraestrutura aeroviária. Entre esse ano e 2027, estamos investindo R$ 672 milhões em 12 terminais, o que inclui a modernização de aeroportos no interior do Amazonas como Carauari (o atual e o novo), Eirunepé, Iauaretê, Parintins e São Gabriel da Cachoeira.
Com isso, vamos atrair novas companhias e aumentar a concorrência, o que tende a diminuir os preços. Estamos trabalhando para assegurar que a população do interior do Amazonas esteja cada vez mais integrada a Manaus e ao restante do país, de forma justa, acessível e sustentável.