Relatório da Polícia Federal aponta edição de contrato advocatício e conversas sobre investigação do Banco Master
Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal, anexado às investigações sobre o Banco Master, apontou a existência de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O sigilo do material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do processo na Corte.
De acordo com a apuração policial, Moraes teria editado uma minuta de contrato de prestação de serviços advocatícios firmado entre sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e Daniel Vorcaro. O contrato previa honorários estipulados em R$ 130 milhões, além do repasse de dois jatos executivos avaliados em R$ 50 milhões como parte do método de pagamento.
Os registros obtidos pela PF no celular do empresário também indicam mensagens enviadas em formato de visualização única a um contato associado ao ministro. Conforme o material, os diálogos ocorreram dois dias antes da prisão de Vorcaro, momento em que o banqueiro questionava se corria risco iminente de ser detido e se deveria deixar o território nacional.
A divulgação dos autos gerou atritos institucionais. Enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pela nulidade das provas colhidas pela Polícia Federal, alegando desrespeito ao rito processual e exposição indevida da Corte, o ministro André Mendonça defendeu a discussão pública do caso no plenário do STF.
No Congresso Nacional, parlamentares da oposição protocolaram no Senado Federal um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes por suposto crime de responsabilidade e advocacia administrativa. Caberá à presidência do Senado analisar o andamento do requerimento.