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‘O norte é absolutamente vulnerável’, afirma ministro da Defesa em Manaus

José Mucio afirmou, em Manaus, que o Brasil precisa ampliar investimentos militares na Amazônia e defendeu a instalação definitiva de navios e estruturas de defesa na região

Omar Gusmão
29/06/2026 às 16:43.
Atualizado em 29/06/2026 às 16:43

Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, realizou visita oficial a Manaus nesta segunda-feira (Foto: Paulo Bindá)

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, declarou nesta segunda-feira (29), em Manaus, que a região Norte é absolutamente vulnerável no que diz respeito à defesa de suas fronteiras. José Mucio afirmou que é necessário investir muito na defesa da região e que pretende e que planeja fazê-lo. As declarações foram feitas durante a inauguração do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (Ipeam).

“Temos quase 17 mil quilômetros de fronteira e 8.500 quilômetros de mar, nós somos absolutamente vulneráveis. E tem mais, o Norte é absolutamente vulnerável. Nós fizemos um exercício aqui em Roraima, o ano passado, a operação Atlas, simulando o país ser invadido, os navios do Rio de Janeiro demoraram 20 dias para chegar lá, e os blindados do Exército demoraram 55, imagina se nós sofrêssemos um ataque. Precisamos investir aqui, fazer bases aqui, deixar esquadras permanentes, os navios da defesa não precisam vir para aqui, precisam ficar aqui”, defendeu o ministro.

José Mucio Monteiro relatou ter ficado bastante feliz com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que vai incluir a Defesa Nacional no plano de governo de sua candidatura à reeleição. “O mundo está todo se armando e nós não. O Brasil talvez seja um dos países que menos investe em defesa. Nós investimos 1% do PIB. Colômbia aqui pertinho investe 3,4%. Eu estive no Chile semana passada e eles investem 2,8%. A defesa não é para a gente invadir ninguém, é para que ninguém nos invada”, disse.

“Eu disse isso num discurso na sexta-feira em Itajaí, o presidente da República inaugurando uma fragata que custou 3 bilhões de reais. Precisamos de quantas? 20. Como com o presidente da República, colocar 3 bilhões de reais numa fragata, quando 3 bilhões de reais resolveria muitos problemas, é muito difícil”, pontuou. “Os países que vão bem têm previsibilidade. O dinheiro é dividido, mas o da defesa, que não pertence a lado político, defende a sociedade, a soberania, o país, tem que ser um dinheiro preservado para que aconteça sempre”, sustentou o ministro. 

Segundo ele, um dos principais entraves é a falta de previsibilidade orçamentária para a Defesa. “A gente precisa ter uma coisa chamada previsibilidade orçamentária. É muito difícil o presidente da República, num país onde precisa dinheiro pra educação, dinheiro pra saúde, pra habitação popular, pra alimento, colocar dinheiro em defesa”, disse. “

O ministro informou ainda que, por determinação do presidente Lula, segue de Manaus para Caracas, na Venezuela, para supervisionar as ações brasileiras de ajuda humanitária àquele país. “Ele soube que eu viria aqui e disse: ‘aproveite que você vai lá falar com o Eduardo [Braga] e vá para Caracas’. Eu estou saindo daqui para Caracas”, relatou.

INAUGURAÇÃO DO IPEAM

O ministro da Defesa veio a Manaus para participar da inauguração do Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (Ipeam), que atuará em duas vertentes principais, com a missão de contribuir para a formação de recursos humanos qualificados e para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicáveis à proteção, à defesa e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. 

“Isso é um trabalho da descentralização que nós estamos defendendo das oportunidades do Brasil. É para que os jovens cientistas do Amazonas não sonhem ir para o sul e fiquem lá. Nós vamos poder ter os nossos jovens cientistas do Amazonas ficando aqui, amadurecendo aqui, constituindo suas famílias aqui e servindo ao Brasil a partir do Amazonas. Assim como vocês mandam crédito de carbono para o Brasil inteiro, vocês vão mandar serviços para o Brasil inteiro sem que precisem sair daqui”, disse José Mucio.

A primeira vertente que vai ser desenvolvida no Ipeam é voltada à pesquisa, desenvolvimento e inovação, com foco inicial no programa de pós-graduação em engenharia de defesa do Instituto Militar de Engenharia (IME). As atividades incluirão cursos de mestrado, doutorado e estágio de pós-doutorado em áreas estratégicas como inteligência artificial, biotecnologias, transição energética, tecnologias quânticas e cibernética. Os cursos serão desenvolvidos por meio de processos híbridos de ensino e aprendizagem que integrarão academicamente Manaus e o IME, no Rio de Janeiro. 

A outra vertente engloba a realização de atividades de extensão do IME, como aulas de reforço para alunos do ensino fundamental e capacitação dos professores do ensino básico em comunidades isoladas, bem como para a realização de projetos de iniciação científica voltados a estudantes e professores da região.

“Evidentemente que a gente não pode sonhar que um instituto desse seja só para quem mora no estado do Amazonas. Isso aqui é uma coisa para os jovens cientistas do norte do Brasil. Estão vindo pessoas do Pará, de Roraima, de todos os estados onde há pessoas que precisa estudar aqui. Vai aumentar o desenvolvimento dessa região. Então a gente tem certeza que isso vai dar certo”, garantiu.  

Instalado no Centro Regional de Manaus do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão vinculado ao Ministério da Defesa, o Ipeam manterá estreita cooperação com a instituição no desenvolvimento de pesquisas, compartilhamento de infraestrutura, intercâmbio de conhecimentos técnico-científicos e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao monitoramento ambiental, territorial e de fronteiras da Amazônia.  

O Instituto contará ainda com a colaboração de instituições da região, como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), além do apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), que viabilizarão bolsas de estudo, projetos de pesquisa, atividades de extensão e mobilidade acadêmica.

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