Eleições 2026

Pesquisas divergem sobre formação do segundo turno para o governo do Amazonas

Apesar da pesquisa em períodos próximos, levantamentos divergem sobre formação do segundo turno para o governo

Waldick Junior
19/09/2026 às 09:05.
Atualizado em 19/09/2026 às 09:03

Pesquisas eleitorais têm apontado três colocados em empate técnico para o segundo turno, mas algumas têm divergido sobre quem garante a vaga. Nestas, não há empate técnico (Junio Matos)

A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, pesquisas que se apresentam como uma leitura do cenário político atual têm ampliado a incerteza sobre a corrida para o governo do Amazonas. A disputa em torno dos levantamentos também no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), que já soma mais de 40 decisões sobre pesquisas, incluindo pedidos de acesso a dados e suspensões.

Desde março, pelo menos seis levantamentos tiveram as divulgações suspensas por decisões da Justiça Eleitoral, algumas delas em caráter liminar. Partidos e coligações têm acompanhado de perto os resultados e questionado questões técnicas, como ausência de informações detalhadas, para derrubar as pesquisas.

Enquanto isso, os próprios levantamentos têm apresentado números divergentes, especialmente considerando que veem a disputa como equilibrada entre pelo menos três candidatos. Enquanto Omar Aziz (PSD) lidera todas, o escalão seguinte tem variado entre Roberto Cidade (União), Maria do Carmo (PL) e David Almeida (Avante).

Justiça Eleitoral já emitiu mais de 40 decisões envolvendo pesquisas

Diferenças

 Das 13 pesquisas mais recentes, divulgadas entre agosto e setembro, Roberto Cidade aparece em seis como o nome que pode ir para o segundo turno contra Omar Aziz. Em outros seis levantamentos, quem garantiria a vaga seria Maria do Carmo. Apenas um colocou David Almeida, no fim de agosto, em segundo lugar, numericamente.

Parte da divergência pode ser explicada pelo fato de os três nomes que compõem o segundo escalão da disputa aparecerem empatados na margem de erro, mas há pesquisas realizadas em períodos semelhantes que dão cenários diferentes. Os candidatos Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede) e Cabo Daciolo (Mobiliza) figuram nas últimas posições em todos os levantamentos.

No caso da Pontual, que ouviu 3 mil pessoas entre 5 e 13 de setembro, e coloca Omar Aziz cm 26,6%, Roberto Cidade com 25,3% e Maria do Carmo com 18,4%. A margem de erro de 1,79 pontos indica que não há empate técnico entre o segundo e o terceiro lugar. Mas outra pesquisa, a Viva Voz, feita entre 5 e 10 de setembro, já coloca Omar com 26,2%, Maria do Carmo com 24,5% e Roberto Cidade com 16,2%. A margem de erro de 2,5% também não indica empate técnico.

Na eleição municipal de 2024, as pesquisas erraram a formação do segundo turno na disputa para a prefeitura de Manaus. O então candidato Roberto Cidade chegou a aparecer em mais de um levantamento como o nome que iria para o segundo turno contra David Almeida. No fim, ele terminou em quarto lugar e quem disputou a cadeira de prefeito com Almeida foi o candidato Capitão Alberto Neto.

Leitura com atenção

O cientista social e advogado Carlos Santiago, fundador do Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC), diz que as últimas decisões da Justiça Eleitoral proibindo a divulgação de pesquisas eleitorais são um sinal do uso indevido dessa ferramenta de aferição do cenário político.

“As decisões são possíveis demonstrações de que as pesquisas são ou foram usadas também por grupos políticos e econômicos para induzir o voto do eleitor e desanimar apoiadores de adversários e, com isso, dificultar ainda o recebimento de doações financeiras de partidos e de simpatizantes”, avalia.

Ele orienta que o eleitorado não espere pesquisas para escolher o melhor candidato. “O voto é livre. Até porque, embora as pesquisas eleitorais estejam garantidas pelo princípio constitucional da liberdade de expressão, a coleta de dados de forma errada pode mascarar a verdade e ser usada para atender a interesses políticos”, alerta.

Dados servem a estratégias

O cientista político Marcelo Seráfico, que discorda do termo ‘pesquisa’ em relação aos levantamentos eleitorais, pro entender que não se pautam em problemas, diz que o fundamental é reconhecer que os resultados têm propósitos específicos, associados à dinâmica da própria disputa eleitoral.

“Eles servem para ajustes das estratégias de marketing e para que determinados agentes privados, os que encomendam as pesquisas, por exemplo, como agentes financeiros, redes de comunicação, etc. modulem suas próprias estratégias de pressão política de apoio ou oposição a determinadas candidaturas”, pontua.

A partir desta visão, segundo ele, os resultados das pesquisas são parte das estratégias de forças políticas partidárias e não partidárias de luta pelo poder. Por outro lado, Marcelo ressalta que para avaliar os erros das pesquisas, como ocorreu em 2024, é preciso analisar, caso a caso, os métodos. “Isso ajuda a entender o que não foi captado e por que não foi”, acrescenta.

Justiça soma 43 pesquisas

A Justiça Eleitoral contabiliza 43 pesquisas registradas oficialmente desde março, com variáveis importantes. O custo do levantamento, por exemplo, parte de R$ 8,5 mil e chega a ultrapassar R$ 100 mil.

A presença constante das pesquisas na disputa eleitoral também tem movimentado o TRE-AM. Desde março, já foram mais de 40 decisões envolvendo pedidos de acesso a dados de pesquisa ou suspensão de divulgações.

Há uma série de regras que precisam ser cumpridas pelas empresas para que o levantamento possa ser publicizado. Entre outras obrigações, é preciso registrá-la previamente na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação, informando dados como contratante, valor pago, metodologia, período de coleta, plano amostral e margem de erro.

Além disso, a pesquisa deve seguir critérios técnicos e estatísticos, garantir transparência das informações ao público, não pode ser divulgada sem registro e está sujeita à fiscalização e a sanções em caso de irregularidades, conforme as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Uma das novas regras exige informar o recorte territorial da pesquisa, como bairros, regiões ou cidades, e detalhar os métodos usados para garantir o equilíbrio dos dados, como ajustes estatísticos. Petições à Justiça Eleitoral acessadas pela reportagem têm usado também essa exigência para questionar levantamentos eleitorais que não se adequaram.

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