repúdio à decisão

Políticos amazonenses reagem à suspensão de editais da BR-319

Decisão atende à ação movida por organização ambiental e suspende realização de pregões por 70 dias

Lucas dos Santos
28/04/2026 às 14:51.
Atualizado em 28/04/2026 às 14:59

(Foto: Divulgação)

Políticos amazonenses demonstraram repúdio à decisão da Justiça Federal que suspendeu os editais para contratação de empresas que realizariam a repavimentação da BR-319, especificamente no trecho do meio. Os pregões, que aconteceriam nesta semana, ficarão suspensos por 70 dias, de acordo com a sentença assinada pela juíza Mara Elisa Andrade.

Em suas redes sociais, o senador Omar Aziz (PSD), coordenador da bancada federal amazonense, afirmou que a rodovia é vital para a conexão do Amazonas e para o desenvolvimento da região e “mais uma vez o progresso é adiado, impactando diretamente a vida dos amazonenses”.

“A continuidade das obras representa infraestrutura e oportunidades para nossa região. Vamos continuar reivindicando o que é justo e necessário para o Amazonas”, disse.

O senador Eduardo Braga (MDB), que vinha se emprenhando ativamente nas últimas semanas em torno da ponte sobre o rio Autaz Mirim na rodovia, escreveu que mais uma vez “algumas ONGs se colocam contra a BR-319 e contra o próprio povo amazonense” e em vez de ajudar a encontrar soluções, preferem manter o Amazonas no isolamento.

“Defender a floresta não pode significar abandonar quem vive nela. Tecnologia não é luxo, é estratégia. Quando usamos drones com inteligência, criamos uma força real de proteção. Com enxames de drones, podemos monitorar grandes áreas, agir rápido e combater crimes ambientais em tempo real. Não é esperar o dano acontecer. É evitar. Isso fortalece a preservação da BR-319, protege nossas fronteiras e reafirma a soberania do Brasil sobre a Amazônia”, disse em publicação nas redes.

Em nota à imprensa, o deputado federal Amom Mandel (Republicanos) avaliou que a decisão da Justiça Federal confirma o que vinha alertando desde o anúncio da obra pelo governo federal e que a sentença “é a comprovação da irresponsabilidade e do mau caratismo dos políticos locais com a população”.

“Chega perto da eleição, eles acham uma decisão mirabolante pra asfaltar a BR-319, mas não tratam a questão com a devida responsabilidade, a Justiça embarga, porque não houve seriedade nessas licitações eleitoreiras. Eu quero que a BR-319 seja asfaltada, mas de maneira responsável. Torcer é uma coisa. Acreditar cegamente em quem promete a mesma coisa há anos é outra”, disse.

O ex-governador Wilson Lima (União) também se manifestou contra a decisão e chamou a situação de revoltante. Em seu perfil, o pré-candidato ao Senado escreveu que o Amazonas “não precisa de lição de ONG nenhuma sobre preservação, a gente é que pode ensinar a mundo como cuidar da floresta”.

Preocupante

Ainda antes da decisão ser publicada, o deputado federal Adail Filho (MDB) publicou um vídeo afirmando ser preocupante a tentativa de barrar as obras na BR-319. O parlamentar disse que respeita o debate ambiental, o classificando como legítimo e necessário, mas que não concorda com uma decisão que isole o Amazonas.

“O asfaltamento da BR-319 é uma questão de dignidade, desenvolvimento, integração nacional. Nós estamos tratando de uma rodovia estratégica, que liga o estado do Amazonas ao restante do nosso país, reduzindo custos, garantindo o abastecimento, fortalecendo a nossa economia e salvando vidas”, destacou.

Já o deputado Capitão Alberto Neto (PL) afirmou que a decisão judicial era mais um capítulo contra o desenvolvimento do Amazonas e repudiou o fato em discurso na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (28), além de acusar o Observatório do Clima de ser ligado à ex-ministra Marina Silva (Rede).

“A suspensão das obras da BR-319 mostra o que a gente já sabe: enquanto discutem daqui de longe, quem vive aqui continua isolado. Falam em impacto ambiental, mas ignoram o impacto social. O povo do Amazonas não pode continuar sem o direito básico de ir e vir. A BR-319 não é luxo. É necessidade”, pontuou.

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